‘90% da madeira que sai da Amazônia é ilegal’, diz delegado da PF Alexandre Saraiva

Negócio ilegal de madeira na Amazônia - Foto: Gabriel Uchida/Yahoo Notícias

O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva disse recentemente que “sendo otimista, 90% da madeira que sai da Amazônia é ilegal”.

O volume impressiona e é confirmado pelo procurador Daniel Lobo, Coordenador da pasta de Desmatamento da Força-Tarefa Amazônia do MPF.

“Esse número é um apanhado realístico do que acontece e ao lado do crime ambiental tem uma série de outros delitos mais graves – organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato, falsidade ideológica, falsidade documental, etc”, diz Lobo.

São muitas infrações e também muito dinheiro envolvido. Francisco da Silva* trabalha na extração ilegal de madeira no sul do Amazonas e conta que já viu madeireiro pagar meio milhão de reais em propina para não ser preso.

A quantia parece exorbitante, mas segundo ele, “Isso compensa porque uma carreta lotada de ipê, por exemplo, chega a dar 200 mil reais”.

Negócio ilegal de madeira na Amazônia – Foto: Gabriel Uchida/Yahoo Notícias

Para acontecer a extração e comércio de madeira de forma legal dois registros são fundamentais: o Plano de Manejo e o Documento de Origem Florestal (este, contudo, não existe no Mato Grosso e Pará, que contam com sistemas próprios).

O primeiro é desenvolvido a partir de estudos da área em questão e estabelece normas e restrições para o uso dos recursos naturais.

Já o DOF é uma licença obrigatória criada pelo Ministério do Meio Ambiente para o transporte e armazenamento de produtos florestais de origem nativa.

Porém, a realidade é mais complexa.

Segundo Francisco, que está há dez anos nessa atividade, muitas vezes as árvores são retiradas diretamente de onde nem existe Plano de Manejo ou, se o local conta com o documento, duas outras irregularidades geralmente acontecem: a extração de um volume muito maior do que o liberado ou o uso dessa permissão para cortar madeiras mais valiosas de outras áreas que não possuem esse registro – muitas vezes terras indígenas ou unidades de conservação.

Além disso, existem casos em que dados falsos são inseridos no sistema eletrônico do Documento de Origem Florestal e, dessa maneira, produtos de origem ilegal passam a ser devidamente regularizados no mercado.

Segundo o procurador Daniel Lobo, Rondônia é um exemplo emblemático dessas irregularidades. Na base de dados do sistema DOF, 70% do crédito de madeira que circula no mercado local não sai do Estado. “Isso é um indício muito forte de que esses produtos são ilegais porque isso não é normal.

Essa produção normalmente vai para a indústria de móveis ou construção civil no centro-sul do país ou para o exterior, e Rondônia não é um destino prioritário para esses setores”, afirma o Coordenador da Força-Tarefa do MPF.

Fonte: Yahoo!

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