TCEAM
Início Cidades Bolsonaristas retirantes do Brasil, que tinham dinheiro no Ueno Bank do Paraguai,...

Bolsonaristas retirantes do Brasil, que tinham dinheiro no Ueno Bank do Paraguai, perderam tudo

Brasileiros, a maioria bolsonaristas descontentes perderam tudo com o calote dado pelo Ueno Bank, no Paraguai. Na foto, pessoas nas ruas sem saber o que fazer - foto: recorte/redes sociais

O escândalo que resultou na renúncia do presidente Santiago Peña, no Paraguai, também atingiu os brasileiros que vivem no país e que tinham depósitos no Ueno Bank, que foi liquidado.

O banco digital Ueno Bank tinha cerca de 3 milhões de clientes, cerca de 60% dos adultos do país, e a conta era fácil de abrir, com oferta de cartão de crédito. Isso atraiu muitos bolsoaristas descontentes com as derrotas de Jair Bolsonaro em 2022 e do Flávio Bolsonaro em 2026.


Segundo anunciavam na despedida do Brasil, que iriam ao Paraguai para morar e abrir negócios após a vitória do presidente Lula em 2022 e mais recente, quando Lula venceu o miliciano que fungiu para os EUA. De acordo com eles, estariam se mudando para a Suiça Latino-americana, para o Paraíso da América do Sul.

O Itamaraty estima 270 mil brasileiros residentes no Paraguai, muitos deles morando perto da fronteira.

Paraíso paraguaio 

Nos últimos meses, principalmente no período das eleições 2026, no Brasil, conhecidos influenciadores da extrema direita, empresários e páginas ligadas aos extremistas de direita brasileira promoveram o Paraguai como um paraíso pra morar, por ser um governo alinhado à direita, destacando a facilidade em abrir empresas e investir, fugindo de impostos e das leis brasileiras.

Muitos deles, pregavam que o Brasil viraria uma Venezuela e que os bolsonaristas deveriam abandonar o País, para morar no suposto “paraíso paraguaio”.

Bolsonaristas que foram embora do Brasil, para viver em um suposto paraíso, perderam tudo. Na foto, protestos de rua – foto: recorte/redes sociais

Bolsonaristas iludidos

O bolsonarista Pedro Treméa, 61 anos, dono de uma empresa de refrigeração em Ciudad del Este, perdeu mais de R$ 200 mil, acima da cobertura da garantia. Ele diz que a crise vai afetar o negócio, e “culpa o Brasil” por ter que importar os seus produtos de seu País natal.

A outra bolsonarista Dalma Morinigo, 31 anos, que trabalha numa casa de câmbio, ficou sem mais de R$ 7 mil que juntava pras férias. Ela conta que, dias antes, o banco oferecia reembolso de 50% de certos valores mantidos na conta, o que, segundo ela, desestimulou saques.

Da mesma tendência política, Vanessa Monteiro, médica acreana, ainda conseguiu pagar o aluguel antes do bloqueio das contas do Ueno Bank, mas ficou sem dinheiro para o pagamento da alimentação e das contas básicas de sua casa.

Para Renata de Brito, 44 anos, que tem uma lanchonete em Hernandarias, a situação foi ainda pior. Ela guardava no Ueno Bank todas as suas economias e os pagamentos recebidos dos clientes.

O prejuízo dos bolsonaristas que optaram por viver no “paraíso” poderia ser ainda maior se no Paraguai, não fosse comum o pagamento de despezas feitos com dinheiro vivo, o que salvou o dinheiro do caixa.

Rombo e liquidação

O Banco Central paraguaio liquidou o Ueno bank depois que o índice de solvência caiu pra menos da metade do mínimo exigido por lei. O rombo vem de empréstimos a empresas ligadas ao próprio banco. O Ministério Público acusa 27 pessoas, oito delas da cúpula do banco.

para o governo Paraguai o dinheiro público e da Previdência estão expostos e com o resgate de 13 fundos suspensos. Também enfreta protestando por salários e rescisões dos funcionários do Ueno Bank e de empresas do grupo, além da alta do Guarani, que subiu de $5.900 pra $6.500 por dólar em 24 horas. Economistas governamentais estima que os danos tendem a ser de curto prazo, mas a extensão total da devassa nas contas públicas ainda não está clara e nem tem data para terminar.

Brasileiros

Para os brasileiros investidores no banco digital Ueno Bank, a garantia é até $228,3 milhões de guaranis, cerca de R$ 200 mil, por pessoa e por instituição. O FGC brasileiro não cobre o Ueno.

Na primeira etapa de pagamento anunciada pelo governo, na quinta (5), os investidores terão direito a recebe integralmente os que mantinham depósitos $10 milhões de guaranis, cerca de R$ 8,9 mil, sem dívidas com o Ueno Bank e com conta ativa em outro banco.

Os demais virão em etapas seguintes, da mesma forma que o governo Collor de Mello fez no Brasil, no maior calote da história nas contas bancárias da população brasileira. No paraguai, ainda tem os percalços da Lei, que manda descontar dívidas com o banco antes de devolver o dinheiro ao cliente.

Aproveitadores e golpes

O Banco central do Paraguai anunciou ainda, que vão ficar de fora da devolução automática, os valores acima do teto, os investimentos em fundos e títulos e pessoas ou empresas ligadas ao Ueno Bank.

Além do calote levado pelo Ueno Bank os bolsonaristas brasileiros, paraguaíos, investidores e correntistas ainda sofrem o assédio dos golpistas, diariamente. Sobre isso, o Banco Central orienta desconfiar de quem prometer liberar o dinheiro mediante pagamento ou transferência.

Artigo anteriorOperação contra incêndios no Amazonas aplica R$ 3,8 milhões em multas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.