A confusão que deixou o Peru com ‘dois presidentes’ e Congresso rebelado

Presidente do Peru anuncia a dissolução do Congresso e novas eleições legislativas-Foto: BBC NEWS BRASIL/Reuters

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, tentava mudar o modelo de escolha dos membros do Tribunal Constitucional, mas o Congresso peruano decidiu nesta segunda-feira (30) ignorar o pedido presidencial.

Vizcarra decidiu dissolver o Congresso por considerar que os parlamentares ignoraram um questionamento feito por ele sobre o processo de escolha de magistrados para o Tribunal Constitucional, previsto para ser votado ontem.

Em pronunciamento televisionado, Vizcarra anunciou que a dissolução do Congresso está dentro de suas prerrogativas previstas na Constituição e com essa medida busca”dar fim a esta fase de aprisionamento político que impede o Peru de se desenvolver no ritmo de suas possibilidades”.

Em seu anúncio, o presidente peruano afirmou também esperar que”essa medida excepcional permita que os cidadãos finalmente se expressem e se posicionem nas urnas, e por meio dessa participação, no futuro de nosso país”.

Em um reflexo da grave crise política na qual o país está mergulhado, a sessão do Congresso nesta segunda-feira foi caótica, com protestos e trocas de acusações.
No entanto, sob protestos de parlamentares liberais e de esquerda, o plenário votou para eleger o jurista Gonzalo Ortíz de Zevallos como um novo membro do Tribunal Constitucional. O eleito é o primo de primeiro grau do presidente do Congresso, Pedro Olaechea.

A tarde da segunda-feira foi dedicada à votação da questão da confiança apresentada pelo presidente da República. Esta foi aprovada segundos antes de vir à público a decisão presidencial de dissolver o Congresso.

Horas depois do anúncio de sua dissolução, o Congresso aprovou a suspensão do presidente da República por 12 meses alegando”incapacidade temporária”.

Presidente do Peru anuncia a dissolução do Congresso e novas eleições legislativas-Foto: BBC NEWS BRASIL / Reuters

Aráoz havia renunciou ao cargo de deputado pelo partido Peruanos por el Kambio (PpK) em agosto passado por causa de divergências políticas com o presidente Vizcarra, a exemplo da antecipação das eleições parlamentares.

Manifestantes defendem o fechamento do Congresso peruano

“Eu mantenho meus princípios, estou assumindo temporariamente a Presidência da República.

Vizcarra não cumpriu três artigos constitucionais”, disse Aráoz.”Quero dizer que compartilho da indignação. A solução para uma crise não são ofertas irresponsáveis, fingir que tudo será consertado com a dissolução do Congresso.”

“É uma das decisões mais difíceis que tomei em minha vida. A coisa mais fácil seria renunciar e me recusar a assumir o compromisso que aceitei em 2016. Sou uma mulher de princípios e não corro de minhas responsabilidades”, afirmou Aráoz na ocasião.

Vice-presidente Mercedes Aráoz prestou juramento como presidente interina do país
No período de 2006 a 2011 em que Alan García foi presidente, ela ocupou diversos cargos, como ministra de Comércio Exterior e Turismo e ministra de Economia e Finanças.

Aráoz disse então que, apesar de suas divergências, continuaria”defendendo as posições do governo que consideramos democráticas, responsáveis e em benefício das grandes maiorias”.

Foram registradas manifestações pró-dissolução no centro histórico da capital peruana, Lima, e em outras cidades do país.

Ele pediu à polícia e às Forças Armadas que não interfiram no processo.”O povo nos colocou aqui e só ele pode nos tirar daqui com seus votos”, afirmou.

Por outro lado, o deputado esquerdista Marco Arana defendeu a dissolução e afirmou que o Congresso não tem a legitimidade do povo.

Parte deles anunciou que resistiria fisicamente a qualquer tentativa de mandá-los para casa.

Vizcarra se reúne com representantes das Forças Armadas e da polícia
Só que não apenas os parlamentares se recusaram a deixar o Congresso como também aprovaram uma moção para suspender os poderes do presidente da República por 12 meses.

Consulte Mais informação: BBC News Brasil

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