Agora é trabalhar – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

David Almeida é novo Prefeito de Manaus. Os números mesmo não tão eloquentes acabaram por estimular diferentes fantasias e visões conspiratórias. Há bons analistas que neles se respaldam para prever a abertura, pelo sistema, de uma inescrupulosa caixa de maldades contra o candidato do Avante: quanto mais cresceram os números de David mais se conspirou contra ele.

A política é móvel e dinâmica, além de pouco previsível. Apesar de sabermos disto, vivemos enfeitiçados pelas ilusões das estatísticas e tendemos a confundi-las com nossos desejos e receios. Passamos a atribuir aos números o poder quase mágico de anunciar o futuro, e vamos permitindo que eles fiquem poderosos demais. Esquecemos que bastaria um fato forte para apagar as estrelas ou pôr no céu quem estava no inferno.

As estratégias se dedicam a burilar imagens, efeitos e “conceitos”, quem sabe embalagens. Os conteúdos importam menos. Os números integram-se a isto e passam a ser cotejados sofregamente. Tudo fica assim condicionado. Uma falha de comunicação, uma frase boba, uma foto inoportuna, um escorregão inesperado, um inocente aperto de mão, um detalhe esquecido da biografia, qualquer bobagem pode jogar tudo ladeira abaixo.

Em decorrência, todos tendem a não se afastar muito de um ponto “ótimo” de campanha, reforçando as estratégias mercadológicas, as frases estudadas, os sorrisos de rotina. Uma boa imagem torna-se fundamental. Um factoide bem plantado vale ouro.

É a antecampanha oprimindo a campanha, o ataque aos outros se combinando com o disfarce de si próprio, as escaramuças moralistas e “imagéticas” ganhando mais peso que o debate democrático. É um alívio saber que acabou a campanha eleitoral.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Ninguém de bom siso aguentava mais, de fato, o festival de marketing oco e de discursos presunçosos, de passeatas barulhentas e de ruas emporcalhadas de propaganda sem graça ou ofensiva à beleza da paisagem (onde ainda existe paisagem, evidentemente) que se produzia por aí. Houve na realidade um mau-gosto da fase pré-eleitoral, agora, com tantos meios de comunicação novos à disposição do freguês (e mal utilizados), os motivos se multiplicam para que nos satisfaçamos com menos uma campanha nos próximos dias.

Coisa de que, coitadas, não estão isentas as populações de Macapá Se, na campanha recente, faltou mais discussão de idéias e de propostas, o que nos fez escolher candidatos à base mais da crença de que honrarão seus mandatos honrados, aliás, David Almeida cumpre preparar programas de governo consistente e assumir as responsabilidades que lhe foi conferida.

Nunca é demais lembrar que o mandato dado pelos eleitores é uma procuração para que o prefeito aja em nome da cidadania. Para alguém zelar pelo bem comum. Para isso, existe o processo da eleição um processo, frise-se, que tem sido aperfeiçoado no Brasil, fazendo com que, hoje, possamos causar inveja aos Estados Unidos. Ali, o sistema é tão confuso que se teme adotar o modelo eletrônico, bem-sucedido entre nós e na Venezuela.

Percebem David Almeida e Marcos Rotta melhor os problemas da comunidade. Sabem que precisam, além de mobilização política, da indispensável retaguarda de pessoas qualificadas para executar as tarefas que deles a população espera. E para preencher lacunas no seu desempenho.

Na maioria das cidades brasileiras há um certo conformismo associado à idéia de que o futuro trará cidades piores do que as que temos no presente e que tivemos no passado. É preciso acabar com essa idéia e fazer com que nossas cidades avancem no sentido de melhor qualidade de vida, de mais bem-estar humano. Para tanto, é preciso atuar seja no plano do cidadão comum, seja no da defesa de valores ambientais e estéticos, quer do meio natural, quer construído.

O importante arquiteto paulista Isay Weinfeld observou recentemente que, para ele, “a estética da favela” é “muito mais rica que a dos prédios milionários em estilo francês. Parte da cara feia da cidade se deve a eles”. Trata-se da opinião de alguém que projeta residências e que desenhou um belo edifício, o do Hotel Fasano, em São Paulo.

Nesse ponto, Manaus carece de cuidados sensíveis. Precisa-se avaliar alternativas sensatas, e não ficar à mercê de questionáveis interesses especulativos e imobiliários. Está na hora de colocar em discussão, de forma sistemática, o que se pretende para nossas cidades: que qualidade decente de vida garantir para todos.

 

 

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