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“Ai se eu te pego!…” – por Garcia Neto

Jornalista Garcia Neto
Redação
Escrito por Redação

Confesso que meu gosto musical não é uma larga rodovia onde nem todos podem transitar. Tenho de reconhecer que o Brasil é uma fábrica de grandes vocalistas, entre eles André Matos (do Angra), Edson Cordeiro, Robson Monteiro, Agnaldo Rayol, Jessé (este, então, continua insuperável). Não sou preconceituoso.

Deve ser apenas simples (?) alergia sonora a ritmos que remetem a primitivas danças de acasalamento e coreografias minimalistas de formicação. Estava tentando compreender o porquê do tamanho sucesso da música “Ai se eu te pego”, na voz do jovem Teló. Na minha avaliação, Teló não é um grande talento vocal.

Garcia Neto é jornalista e professor.

Convenhamos, é péssimo, mas faz sucesso com uma música da grande e talentosa Sharon Acioly, criadora do “Ai se eu te pego”, que a apresentava dentro do gênero Funk na sua Dança do Quadrado.

Foi quando o lourinho foi dar uma xeretada em Porto Seguro e gostou da música e trabalhou uma adaptação que ainda não sei se é Forró, Pagode ou Kuduro. Só sei que pegou!!! Mas o péssimo prevalece, como a dança na boquinha da garrafa, essas letras de músicas com duplo sentido vulgar – quando ouço penso que tratam o amor como um sentimento disléxico reservado a pessoas com analfabetismo funcional.

Não sou da chamada elite do pensamento, mas penso que é necessário alto ímpeto de humildade intelectual para aceitar que há gosto para tudo. Porque, de fato, cada um tem o direito de entupir ou aniquilar seu cérebro com a substância venenosa que lhe aprouver.

Outra, não sou fumante e nem solidário a qualquer vítima de dependência química, mas tento compreendê-los. Creio que está faltando no Brasil clínicas de desintoxicação de consumidores de crack, funk carioca, Luan Santana e Michel Teló, e o governo não faz nada.

É, deixa a turma se pegar, se consumir, estão na deles. Assim eles se matam, é um risco. Mas, como a Europa está em crise e não há muito o que fazer, lá, o Teló toca mais que Adele e Coldplay. Aliás, até no Paraguai, na língua Guarany.

*Garcia Neto é professor e jornalista

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