Algumas recordações – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Fecho os olhos e na tela preta que vejo movo o mouse na direção contra o relógio e entro no site das recordações. Acompanhe-me nessa retrospectiva de um tempo feliz, resumo escrito com giz nesse quadro-negro desta Cidade Sorriso, por onde vivi subindo e descendo ladeiras no bairro da Cachoeirinha, de onde mudei para a Silva Ramos, com escala na Luiz Antony. Lembro do primeiro litro de leite que comprei, saindo sozinho de casa pela primeira vez, guardo com muita nitidez as linhas perfeitas com barrocas nas bochechas e olhos redondos pretos como Jaboticaba, uma cor branca quase azulada da minha primeira professora Lucila, rainha de um conto de fadas.

Na rua sem asfalto e nem calçadas, peladas eram disputadas até em noite de lua, banhos de chuva molhavam o corpo da morena que de costas no quintal da casa se enxugava, na toalha branca se enrolava e desfilando na sua casa entrava. Roda pião bambeia pião, o coelho sai não sai, ele sempre saiu para as festas juninas e os bailes dos carnavais, os porres de lança perfume, o primeiro edifício construído e fechado por tapumes, começa a guerra dos perfumes que as meninas com charme ousam usar, elaboram-se estratégias para nos ônibus elas encontrar e nos colégios os meninos começam o “biocreme” a usar, basta apenas um pouquinho para as garotas conquistar. Ah! Recordações que me enlaçam nesse espaço de tempo que escrevo sem brilho nem relevo preocupado apenas em lhe convocar.

Fechem seus olhos se esse texto não consegue lhe agradar, busque no seu quadro-negro, bons momentos recordar. Um som de uma flauta me faz os olhos abrir e o que vejo agora me faz sorrir. É um garoto no circo sentado sobre a lona que irá lhe cobrir, toca Carinhoso com perfeição, música maestro, pois esse momento é para rir e recordar. Hoje tem espetáculo, tem sim senhor. É o circo da nossa vida “seu doutor”. As meninas e meninos daquela rua, quase encantada, moram hoje na memória da minha alma, são luzes fortes nunca apagadas, algumas brilham lá no céu outras moram por perto com quem sempre encontro, uns com cabelos bancos outras com rugas pelos rostos, mas isso não importa, uso a chave da recordação para abrir uma porta e matar a sede dessa amizade nunca morta. Mas é de manhã, vem o sol está a brilhar… É o canto do Roberto Carlos no Programa Jovem Guarda no musical que inaugurou a TV Tupi, onde não tinha televisão em Manaus ,e quando chegava do Rio de Janeiro, juntava os amigos e amigas para até com certa dose de artista, contava-lhes o que via naquela que era a grande descoberta, a Televisão.

Naquela rua morava a minha vida e voltei depois lá depois de alguns anos com tudo modificado. Nesse momento um celular toca, abro os olhos e vejo um palco, é um cego que grava outro comercial a câmera roda no seu entorno e um homem magro dirige a cena até a exaustão. Lembro-me da frase final “pois é bem melhor ser feliz vendo tudo”, com a permissão dos queridos leitores, mas nesse meu final a frase é, “pois, é bem melhor ser feliz recordando tudo”.

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