“Aluno com nota baixa no Enade não pode se forma”, diz ministro da Educação

Abraham Weintraub comenta os dados do Enade-Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse nesta sexta-feira (4) que estuda punir estudantes universitários com nota baixa no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). A afirmação aconteceu durante a divulgação dos resultados do exame pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira).

“Muitos apresentaram um acerto inferior a 20% da prova. A proposta é que para as próximas edições tenhamos um incentivo para que os estudantes façam o exame com seriedade: aqueles que se destacarem poderão ter seus nomes divulgados e aqueles com nota baixa não possa se formar”, avaliou. A proposta precisa ser discutida pelo Congresso.

Fizeram o exame 550 mil alunos, sendo 450 mil na modalidade presencial e quase 100 mil em Ensino a Distância de 8.800 cursos de bacharelado das áreas de Ciências Sociais, Ciências Humanas e os tecnólogos de Gestão e Negócios, Produção Cultural e Design. Segundo os dados, apenas 3,3% das instituições privadas alcançaram nota máxima. O número sobe para 20% nas instituições públicas.

“Um dado interessante é que a diferença entre a qualidade dos cursos presenciais e a distância é a mesma, o que mostra que não há queda de ensino na EAD”, afirmou Weintraub. 83,1% dos alunos avaliados fizeram o curso presencial contra 16,9% na EAD.

Abraham Weintraub comenta os dados do Enade-Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

A maioria dos estudantes vem de universidades privadas e destes, segundo o ministro, 50% usam, de alguma forma, o financiamento público. “Percebemos que o menor grau de desistência está nos alunos mais pobres que têm de pegar financiamento público para pagar a faculdade, pessoas que precisam terminar logo o curso para resolver os seus problemas. O que significa que essas universidades privadas com financiamento público tem um impacto social maior.”

Weintraub voltou a defender a autorregulamentação do setor privado como uma forma de melhorar a qualidade no setor. Boa parte dessas instituições alcançou o conceito 3 no exame. “As próprias instituições fazem um filtro e as más práticas são abolidas, o Estado continua acompanhando, mas há um grau de liberdade e responsabilidade maior.”

As instituições privadas têm um maior número de alunos e cursos. Os dados do Enade 2018 mostram que 84,8% dos participantes estavam matriculados em uma faculdade privada. Metade dos estudantes se formaram em direito ou administração.

Nas instituições públicas, 23,3% dos alunos tiveram nota acima de 61, nas particulares, apenas 9,5%.

Enade

Criado em 2004, o Enade é obrigatório para conclusão da graduação em instituições de ensino privadas e nas públicas federais. Ele integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

O exame avalia o rendimento dos alunos em duas partes: em relação aos conteúdos específicos dos cursos em que estão matriculados e em conhecimentos gerais. A prova visa a avaliar a qualidade das graduações no País. As notas do exame são convertidas em uma escala por faixas, que vai de 1 a 5.

Fonte: R7

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