Após 320 anos de existência, Casa da Moeda está sendo vendida a estrangeiros

Com a venda da Casa da Moeda o Brasil se equipara ao Quênia-África, de território e população menor, que têm a sua produção feita fora dos seus país – foto: arquivo

Escrito por: Rosely Rocha

O governo de Jair Messias Bolsonaro anunciou que quer vender a Casa da Moeda, estatal responsável pela produção de 2,6 bilhões de células e 4 bilhões de moedas ao ano, inclusive as comemorativas, pela confecção do passaporte e selos de rastreabilidade de cigarros e bebidas.

A Casa da Moeda também é a responsável pelo combate a fraudes e a corrupção de documentos, pela proteção de marcas e certificações acadêmicas de provas e títulos.

A possibilidade do nosso próprio dinheiro ser produzido por estrangeiros é enorme, já que apenas três grandes empresas internacionais dominam o mercado mundial . Juntas, elas são responsáveis por 60% dos contratos das empresas privadas para produção de cédulas e moedas no mundo.

Hoje as 15 maiores economias do mundo, Estados Unidos, Japão, Inglaterra, França e incluindo Brasil, entre outros, produzem suas próprias cédulas e moedas para terem garantida a soberania nacional de cada país.

Apenas alguns poucos países de menor território e com uma população menor, como por exemplo, Quênia, têm a sua produção feita fora dos seus territórios.

A privatização da Casa da Moeda coloca em risco a economia do país – foto: arquivo

“A preocupação dessas nações é a falsificação da própria moeda, com uma “enxurrada” de dinheiro em circulação, o que afetaria a economia e ainda a possibilidade de não entrega do dinheiro fabricado”, avalia o diretor de comunicação do Sindicato Nacional dos Moedeiros (SNM), Edson Francisco da Silva.

“Se colocarem mais dinheiro em circulação do que é necessário, se destrói a economia de um país. A Alemanha privatizou a fabricação de seu próprio dinheiro em 2000 e já em 2009 voltou atrás por insegurança monetária. O Brasil é um grande país com reservas naturais, água, biodiversidade e petróleo. Somos importantes no mundo, e não podemos ficar reféns de interesses econômicos e estratégicos de estrangeiros”, avalia o dirigente.

Vazamento de Dados

Além da produção de cédulas e moedas, a venda da Casa da Moeda implicaria em passar para as mãos de estrangeiros, dados dos brasileiros, já que a estatal também é responsável pela confecção dos passaportes nacionais.

“A segurança na produção dos passaportes brasileiros são de alta tecnologia para evitar a falsificação. Por sermos uma nação que tem negros, brancos, pardos e, é composta por imigrantes de várias nacionalidades, os passaportes de brasileiros têm um grande interesse de falsificadores porque qualquer um pode-se passar por brasileiro”, explica o presidente do SNM, Aluízio Júnior.

Impostos sobre cigarros e bebidas

Toda vez que sai de uma fábrica um maço de cigarros ou uma garrafa de bebidas quentes como cachaça e uísque há um selo de rastreabilidade produzido pela Casa da Moeda. A sua circulação é monitorada possibilitando que a Receita Federal cobre impostos de acordo com a produção e a venda.

“O Brasil já é um país em que 54% dos cigarros em circulação são falsificados. Perder a segurança será praticamente liberar a falsificação. Por isso, é importante termos a segurança sobre a circulação dessas mercadorias”, avalia o diretor de comunicação do SNM.

O combate a fraudes e corrupção de documentos

A Casa da Moeda confecciona diplomas e certificados físicos e digitais com qualidade e segurança, para evitar fraudes e corrupção. Além de soluções que contemplam produtos e serviços de segurança relacionados à identificação de natureza física e digital. Também desenvolve sistemas para armazenagem e tratamento de dados, que dificultam ou até mesmo impedem a reprodução para utilização criminosa de documentos ou serviços.

“A Casa da Moeda tem uma sala-cofre que funciona como uma espécie de cartório, que possibilita chancelar operações de e-commerce, por exemplo”, conta Edson Francisco da Silva.

Governos Lula e Dilma investiram R$ 1 bilhão na Casa da Moeda
Em seus 325 anos de existência, a Casa da Moeda teve o seu maior investimento em tecnologia de segurança, nos governos Lula e Dilma. Entre 2009 e 2012 foram cerca de R$ 230 milhões ao ano, somando mais de R$ 1 bilhão no período.

“Esse investimento foi feito a partir de um estudo do Banco Central, em 2008, que projetava um crescimento de 15% da demanda do meio circulante [dinheiro] nos anos seguintes. Isto levou a Casa da Moeda a modernizar o parque fabril e investir na capacitação técnica dos seus trabalhadores”, conta Edson Francisco.

As empresas públicas pertencem a União e ao povo brasileiro. São empresas em que o governo aplicou o nosso dinheiro e devem ser utilizadas para o bem-estar geral da população e resguardar a nossa soberania nacional.

O desmonte da Casa da Moeda, após o golpe de 2016

A Casa da Moeda chegou a possuir 3 mil trabalhadores em 2014, mas após as demissões e o desmonte que vem enfrentando, está com 2 mil.

O processo teve início, já em 2016, após o golpe que derrubou a ex-presidenta Dilma Rousseff. Foram quatro momentos que culminaram com os prejuízos dos anos seguintes da Cada da Moeda.

Primeiro o governo golpista Michel Temer (MDB-SP) fez mudanças na (Desvinculação da Receita da União( DRU) . O governo passou a reter 30% do valor dos serviços prestados pela Casa da Moeda, alegando que eram impostos. Com isso, a estatal teve sua receita reduzida em mais R$ 534 milhões. Ainda assim, naquele ano, a Casa da Moeda conseguiu ter lucro de R$ 60 milhões.

Também no ano de 2016, Temer quebrou a exclusividade da Casa da Moeda na produção de cédulas e moedas.

Em 2017, o governo retirou a obrigatoriedade dos selos holográficos, emitidos pela Casa da Moeda, das bebidas frias, como a Coca-Cola, Ambev, Itaipava e Petrópolis. O serviço que controlava a produção dos envasadores dessas bebidas representava, naquele ano, 60% do faturamento bruto da Casa da Moeda.

Segundo o presidente do SNM, Aluízio Júnio, o governo retirou R$ 1,4 bilhão do faturamento da Casa da Moeda, fazendo com que após 320 anos de existência, a estatal desse um prejuízo fabricado pelo próprio governo.

“Não foi só prejuízo para a Casa da Moeda, o Brasil perdeu em arrecadação de impostos. Foram em média R$ 17 bilhões ao ano [2017 e 2018] depois que o governo Temer permitiu que as indústrias de bebidas frias [cervejas e refrigerantes] fizessem uma auto declaração de quanto produziam e quanto vendiam”, denuncia Aluízio Júnior.

Já em 2017, Temer vetou um artigo da lei que instituía a Casa da Moeda como responsável pela produção do documento único na forma física, impedindo assim uma maior arrecadação da estatal.

GGN – Escrito por: Rosely Rocha

6 COMENTÁRIOS

  1. Quem tem medo da privatização? É uma boa pergunta… Vamos perguntar para os habitantes de Brumadinho e Mariana? Ou para os usuários da Enel?
    Quando vc diz pra “dispensar a galera que ganha muito e não faz nada”, pode-se incluir aí a bolsomáfia e todos os seus assessores, mais um ministro da justiça que faz vista grossa pra organizações criminosas que envolvam milicianos?

  2. Gostaria de saber quem escreveu essa sandice acima, que não teve nem a coragem de escrever o nome. O fato é que mente, com argumentos controversos e confusos, de que todo mundo nadava em dinheiro. Deve ter copiado de algum diálogo do pato Donald, de tão infantil e bobinho que é ! Como existe gente ordinária nesse país de verdadeiros traidores da pátria, como o punguista Temer e o bandido da rachadinha por quase trinta anos, o inútil miliciano, e esse veado desse artigo de encomenda ! Canalha, se vc. gosta de americano, vai pra lá e arranja um marido e depois vai pro inferno, antes que eu me esqueça ! Puto !!!!!!!!!!!

  3. Canalha já que você não tem nome. Tentando com.poucas palavras desconstruir a verdade de uma matéria bem elaborada com.pesquisa de dados com conteúdo e a qual.leva a assinatura de quem a produziu .caanalha, canalha ,canalha sim!

    Canalha já que você não tem nome. Tentando com.poucas palavras desconstruir a verdade de uma matéria bem elaborada com.pesquisa de dados com conteúdo e a qual.leva a assinatura de quem a produziu .caanalha, canalha ,canalha sim!

  4. O que o Temer tirou foi o que o PT colocou. O faturamento exorbitante era uma maquiagem para justificar o aparelhamento da empresa. Inclusive os empregados reconhecem isso, só não falam para imprensa. É claro que vão lamentar quando a conta chega. Se enxugar a empresa, baixar os salários e reduzir alguns benefícios, assim como dispensar a galera que ganha muito e não faz nada, a empresa pode ter ainda uma chance de não de extinguir. Quando tinha dinheiro, esbanjava. Muitos admitem isso, principalmente quem trabalha com os números. Os peões e os interessados são teleguiados pelo sindicato, que só pretende usar esse momento de dificuldade para uma barganha política lá na frente. É o médico esperando por um paciente doente. Quem tem medo do privatização é quem vale menos do que custa.

    • Quem tem medo da privatização? É uma boa pergunta… Vamos perguntar para os habitantes de Brumadinho e Mariana? Ou para os usuários da Enel?
      Quando vc diz pra “dispensar a galera que ganha muito e não faz nada”, pode-se incluir aí a bolsomáfia e todos os seus assessores, mais um ministro da justiça que faz vista grossa pra organizações criminosas que envolvam milicianos?

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