Bailarina brasileira brilha em NY e sonha ser vista pela mãe em cena

Ingrid Silva estrela curta-metragem que vem circulando pelo Brasil/Foto: Divulgação

Um das mais promissoras bailarinas de Nova York é negra, brasileira, pouco favorecida financeiramente. Estas palavras não deveriam ser as primeiras usadas para apresentar um talento nato das sapatilhas, mas o balé costuma ter uma realidade racista quase tão limitante quanto a falta de oportunidade agregada à pobreza no Brasil.

A mãe de Ingrid, a empregada doméstica Maureny, nunca presenciou a aclamação da filha em nenhum dos espetáculos destes oito anos de Dance Theatre of Harlem, nos Estados Unidos. “Minha mãe, infelizmente, não conseguiu o visto, não sei ao certo o porquê”, conta a menina que saiu da comunidade do Benfica, no Rio de Janeiro, para brilhar no cenário da dança mundial – tendo como base o projeto social Dançando para não Dançar, no Morro da Mangueira.

O vídeo que apresenta Ingrid Silva ao mundo e vem circulando na internet também na última semana é do ano passado. O sentimento evocado pelos dois minutos de imagens é, no entanto, tão atual quanto este exato segundo: superação.

Para ter a imagem destacada nos cartazes da turnê do Dance Theatre of Harlem que estreará nos Estados Unidos, em abril, foi preciso que o talento de Ingrid fizesse um “pas de deux” com a resiliência. “Ultrapassei muitos limites com o meu corpo e a minha mente, mas não me arrependo de nada”, cravou a bailarina no texto oficial de divulgação do curta-metragem, parte de uma campanha da Activia.

Ingrid Silva estrela curta-metragem que vem circulando pelo Brasil/Foto: Divulgação

O vídeo resume, sem palavras, a vida de Ingrid, desde os oito anos de idade, quando subia a Mangueira para dançar. Nenhum detalhe parece ter escapado ao diretor e roteirista Ben Briand: a casa humilde, o carinho dos pais, a importância da professora, a rotina dura, o nascimento do sonho, o foco, a despedida dos pais e do irmão.

As imagens nos Estados Unidos mostram a chegada, o inverno marcante (“Não estava pronta para o frio ou para a neve. Não tinha sequer um casaco”), os próprios limites superados no balé (as aulas eram das 9h às 17h), o “segundo turno” que Ingrid fazia como babá ou garçonete para pagar as contas, o estudo do inglês. A lição também é gritante: oportunidades transformam realidades.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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