A campanha já está nas ruas – Por Garcia Neto

Professor e Jornalista Garcia Neto
Professor e Jornalista Garcia Neto

Mais uma vez candidatos a cargos eletivos (deputados estadual e federal, senador, governador e presidente) vão mostrar a cara do país ao eleitorado brasileiro, vão mostrar as promessas cumpridas e as não cumpridas por aqueles que estão no poder e vão lutar pela reeleição; vão quebrar o pau em cima de projetos eleitoreiros implantados somente para enganar o povo ou vão lavar roupa suja pela mídia. Enfim, o eleitorado vai ter, mais uma vez, a oportunidade de ver como está a cara do país, como está a cara do seu Estado ou de sua comunidade, depois desses longos 4 anos de mandato popular de seus representantes, vão, também, avaliar a cara de pau dos muitos políticos cínicos e descompromissados com a causa pública, para julgá-los no dia da eleição.

A campanha mal começou e já se podem ver candidatos desfilando pelas ruas na companhia de famosos, embora reconheça-se que, ser artista ou famoso renomado não é mérito nem demérito na hora de ser candidato ou de aparecer na companhia de políticos – também famosos, a exemplo de um Belão, no Amazonas, ou de um Jader Barbalho, no Pará, ou os de rara notoriedade de um Jair Bolsonaro ou de um Marco Feliciano. Na eleição de 2010 o país inteiro ficou pasmo com a vitória do comediante Tiririca, que trabalhou sua campanha na linha do humor “rir do ridículo” ou “debochar de si mesmo”. E deu certo, tornando-se o deputado federal mais votado do país.

A utilização de famosos ou celebridades para angariar votos pode ser positiva ou não. Em Manaus, Amazonas, o vereador Fabrício Lima (SDD), ex-secretário municipal de Esportes, aproveitou a imagem do campeão do UFC (Ultimate Fighting Championship) na categoria dos pesos pena, José Aldo Júnior, para fortalecer sua campanha rumo à Assembléia Legislativa. O vereador aproveitou o momento inicial da campanha para homenagear Zé Aldo com uma cinta especial, para, em seguida, desfilar pela cidade ao lado do campeão do UFC, visitando academias de luta livre e jiu jitsu, na companhia do mestre Totonho Aleixo, o “Sonic”.

Em solidariedade, Zé Aldo e Totonho não pensaram duas vezes, foram para as ruas de maior movimento oferecer ao povo “santinhos” do candidato Fabrício Lima, em que o recomenda como o melhor nome para o Parlamento estadual. Tomado de forte emoção, Fabrício era só sorrisos, claramente visível pela exposição de suas arcadas dentárias frontais brilhando sob a forte luz do sol. Num primeiro momento, poder-se-ia confundir quem estaria sendo utilizado como massa de manobra: se Zé Aldo ou o povo. É evidente que o povo parava para cumprimentar o campeão com apertos de mãos, abraços e palavras carinhosas ao representante do Amazonas no maior evento de artes marciais mistas do mundo.

Se ainda existe o conceito de violência simbólico de “massa de manobra” é porque povo e povão se permitem ser enganados por falsos políticos e passam a defenderem uma ideologia a que estão influenciados. A cada resultado geral das eleições no Brasil, pode-se perceber que as pessoas continuam sem saber a que vieram e nem sabem para onde vão. Aliás, vão ao sabor das influências ideológicas de políticos profissionais para se eternizarem no poder, a exemplo do próprio Fabrício Lima ou de um Josué Neto ou de um Arthur Bisneto, todos com um histórico de vida pública – um tanto duvidosa – a ser analisado criteriosamente pelo povo.
Se o eleitor for cauteloso, responsável, poderá decidir se, por exemplo, além de Josué Neto e Arthur Bisneto, um Sabino Castelo Branco, um Ricardo Nicolau, um Silas Câmara ou o Wanderley Dallas, ou mesmo o Francisco Praciano e Eduardo Braga, merecem o seu voto. Sabe-se que Fabrício Lima foi flagrado recebendo grande quantia em dinheiro de origem ilegal, aos moldes dos mensaleiros do PT e do DEM. Acredita-se que, se o eleitor soubesse da atuação de cada político na surdina do dia a dia, jamais seriam reeleitos.
*Garcia Neto é sociólogo, professor e jornalista

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui