Canções de ninar indígenas viram tema de CD, em Manaus

Marlui Miranda(C)/Foto: Divulgação

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A cantora, compositora e pesquisadora Marlui Miranda acaba de lançar o CD “Fala de Bicho, Fala de Gente: Cantigas de Ninar”. O disco tem 15 faixas, pesquisadas por ela e outros estudiosos. O projeto é baseado em cantigas de ninar transmitidas de geração a geração pela tribo Juruna.

Com mais de 30 anos dedicados ao trabalho com índios, Marlui com o apoio da Universidade Estadual Paulista (Unesp), iniciou a pesquisa para o novo CD em 2012. A artistas fez uma imersão na cultura Juruna. Em visita, ao povo, ela conheceu 49 cantigas de ninar e decidiu adaptá-las. “Trabalhei até março de 2013 nas cantigas, transcrevendo-as para a partituras e arranjando-as”. Marlui reforçou que a cultura indígena dos Jurunas sempre foi transmitida por via oral e a realização do  projeto aconteceu através de um convite feito pela comunidade própria comunidade, representada pela Associação Yarikayu.

Segundo, a cantora, os povos Juruna possuem mais de 400 canções e estas são cercadas de mistérios. “Não foi tarefa fácil abordar esse repertório, pois há uma restrição cultural que envolve a execução. Depois das cinco horas da tarde não se costuma interpretá-las, já que, segundo a crença dos jurunas, isso poderia afetar as pessoas mais vulneráveis, as crianças, fazendo-as cair num sono letárgico, podendo até não acordar mais”, disse Marlui. Ela então, adaptou as cantigas, sem revelar totalmente a estrutura original.

A artista colocou textura de harmonia, improvisos, acordes, percussões e pequenas alterações na linha melódica. Todo o repertório foi aprovado pelos jurunas, que acompanharam as gravações via Skype e em estúdio.”Yabaiwa e Tarinu Juruna [nomes dos integrantes da tribo] corrigiram problemas de pronúncia e puderam acompanhar as gravações de forma satisfatória. Eles estavam dentro da sala de gravação com os músicos, ouvindo. Mesmo não não fisicamente aqui, eles estiveram perto, virtualmente, nos observando e escutando durante a gravação. Eu gostaria que pudessem estar, mas não tivemos os meios financeiros para tudo”, desabafou a artista.(PACult)

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