Coari no Amazonas vira palco de novos conflitos com morte de indígenas

Indígenas protestam contra o genocídio sofrido pelos povos indígenas durante ATL 2018. Crédito da foto: Mobilização Nacional Indígena (MNI) - foto: CIMI

Indígenas do povo Miranha, da aldeia Cajuiri Atravessado foram mortos entre os dias 06 e 07 passados no município de Coari (AM), na região do Médio Solimões – localizado a 363 quilômetros da capital, Manaus –, de acordo com informações do Comando da Polícia Militar naquela cidade.

Joab Marins da Cruz foi assassinado em sua casa na aldeia na noite de anteontem. Marcos Marins da Cruz e Francisco Martins da Cruz foram mortos por volta das seis horas de ontem, após perseguir os autores dos disparos contra Joab.

De acordo com o comandante da PM de Coari, Tenente-Coronel Pedro Moreira, o professor Joab Marins da Cruz foi morto depois de uma desavença com outros moradores da localidade.

O irmão dele teria roubado uma espingarda de outro morador. Na noite do dia 06 passado um grupo de pessoas ligado ao proprietário da arma foi a casa de Joab tentar recuperar a espingarda.

Joabe Martins da Cruz, professor indígena da comunidade Cajuhiri foi uma das vítimas – Foto: Reprodução

Eles relataram à PM que Joab tentou atirar neles. Eles revidaram e acabaram alvejando o professor que ainda foi levado para o hospital da sede do município de Coari, mas não resistiu indo a óbito pouco tempo depois.

“Os parentes do Joab prometeram vingar a morte. O pai dele e um sobrinho saíram em perseguição em um bote onde também estavam a esposa e dois filhos”, relata o Tenente-Coronel Pedro Moreira. “Por volta das seis horas do dia 07 eles se encontraram. Depois de travarem luta corporal, o pai e um irmão de Joab foram golpeados com remo, caíram na água e morreram”, acrescenta.

O presidente da Associação de comunidades indígenas de Coari (ACIC), Francisco Alves da Silva, disse que o conflito entre os moradores da aldeia Cajuiri Atravessado acontecem há muito tempo. Segundo ele, na aldeia vivem indígenas e não indígenas.

Joab e seus familiares teriam sido mortos por não-indígenas que teriam desavença com os familiares das vítimas por causa da extração de castanha na localidade.

Francisco Alves disse ainda que familiares dos indígenas mortos já teriam registrado ocorrência na delegacia de Coari e na Fundação Nacional do Índio (Funai), alertando que tragédias poderiam acontecer, porém nenhuma providência teria sido tomada.

O presidente da ACIC diz, ainda, que podem acontecer outros conflitos graves ali. Essa opinião é compartilhada pelo comandante da PM. “Se eles ficarem todos no mesmo local vai haver mais mortes”, prevê o Tenente-Coronel Pedro Moreira.

O comandante da PM informou que um dos autores das mortes foi preso e apresentado na delegacia de polícia na noite de ontem, 07.

Conselho Indigenista Missionário – CIMI

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