Comunidade ribeirinha é beneficiada com sistema inovador de energia solar fotovoltaica

FAS - Inauguração Sistema Solar Comunidade do Inglês - Foto: Rodolfo Pongelupe

Ainda pouco difundida no Brasil, a energia solar já não é mais um privilégio exclusivo de grandes centros urbanos. Regiões remotas da Amazônia já podem usufruir dos benefícios dessa fonte renovável, como é o caso da comunidade Santa Helena do Inglês, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, município de Iranduba (AM). O projeto Sempre Luz, uma parceria entre a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a empresa Unicoba, foi responsável por beneficiar as 30 famílias que residem no local, contemplando-as com um sistema de energia solar fotovoltaica que utiliza baterias de lítio. A tecnologia é considerada inovadora e sustentável, além de adaptável à realidade de comunidades ribeirinhas.

Foto: Rodolfo Pongelupe

Ao todo, o sistema abrange 132 painéis solares, 54 baterias de lítio e nove inversores híbridos de última geração. A central de energia solar fica localizada em uma área aberta da comunidade e conta com uma estrutura fechada para armazenar os equipamentos com segurança. Apesar de ainda estar em fase piloto, os moradores desfrutam dos benefícios do sistema, já em pleno funcionamento.

Antes da energia solar se tornar uma realidade, Santa Helena do Inglês era um local que sofria com quedas constantes de energia elétrica, causadas pelas intempéries e outros imprevistos típicos da região amazônica, como afirma o morador e presidente da comunidade, Nelson Brito. “A comunidade é muito distante da cidade e a energia, até então, chegava pela floresta. E quando tinha qualquer temporal, as árvores caíam e a comunidade ficava toda sem energia. Isso afetava muito a escola, que tem aula à noite, a igreja e a pousada comunitária, que recebe clientes.”

Foto: Rodolfo Pongelupe

A comunidade é a primeira das quatro localidades amazônicas previstas para serem favorecidas pelo projeto. Até dezembro deste ano, o sistema também será instalado na comunidade Boa Frente, na RDS do Juma, em Novo Aripuanã; na comunidade do Bauana, RDS de Uacari, em Carauari; e na comunidade indígena Munduruku, em Nova Olinda do Norte.

Segundo Viceli Costa, presidente da Associação-Mãe da RDS Rio Negro, o projeto representa a realização de um sonho e a melhoria do bem-estar local. “As comunidades da reserva precisam de energia principalmente para armazenar o alimento, porque todo o pescado e caça que conseguem eles [comunidades que não têm acesso à energia] comem tudo de uma vez ou passam sal no alimento, o que prejudica a saúde, justamente por causa do excesso de sal. Então levar esse projeto para outras comunidades é trazer também mais saúde”.

Foto: Rodolfo Pongelupe

Na opinião do superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, o caráter acessível do sistema serve de inspiração para que seja replicado em outras localidades remotas da Amazônia. “Esse sistema não apenas é mais barato, como fornece uma energia de melhor qualidade e mais confiável, permitindo atividades de geração de renda, e eu acredito que esse sistema pode ser multiplicado para atingir todas as comunidades do Amazonas”.

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