A conduta arrogante de Gilmar Mendes – Por Raimundo Silva

Advogado Raimundo Silva (AM)

Pronunciamento abusivo do sr. Gilmar Mendes contra a paciência do povo, revelação repetitiva da conduta arrogante desse servidor da Justiça cujos salários são pagos por nós, e um grande desrespeito ao vigoroso trabalho desenvolvido pelo competente ministro relator Benjamim, que se amparou numa montanha de provas consistentes de abuso de poder político e econômico para decidir pela cassação da chapa dilma-temer.

O ministro Gilmar, deletério à reconstrução da ética e da probidade na disputa dos cargos eletivos, deturpa o sentido do valor do voto do povo, quando defende que os mandatos devem ser preservados, embora diante de práticas ilícitas pelos candidatos. Ou seja, a ilicitude da conduta do candidato na disputa eleitoral deve ser desconsiderada em benefício da valorização do voto do eleitor. Aí temos uma inversão de valores perversa e inaceitável contra as regras da democracia, que só tem assento na cabeça desse ministro de quem não se aproveita nada do fala, sobre direito ou assuntos gerais.

 

Advogado Raimundo Silva (AM)

A valorização do voto livre, universal e secreto decorre da aplicação de regras democráticas lícitas no processo eleitoral, no qual os candidatos devem ter as mesmas condições de igualdade na disputa. Se um candidato é favorecido pela prática de atos de poder político e econômico, em detrimento de outro candidato que não usa desses meios, temos nessa hipótese, um atentado à democracia e à soberania do voto.

Em verdade, o eleitor não quer desonestidade no processo eleitoral, porque lhe seria desconfortável sair de casa para votar em candidato que usa de esquemas desonestos para facilitar a sua eleição. O candidato pode ser desonesto mas o eleitor não é. O julgamento do TSE, hoje, foi uma vergonha nacional.

Foi um momento glorioso para a corrupção que vem destruindo a moralidade que se exige da classe política que temos, com essas figuras que não respeitam os seus eleitores. Temos um ordenamento jurídico-eleitoral que protege o mandato conquistado de forma lícita nas urnas, mas há também regras de punição àqueles que cometem atos incondizentes com a legalidade e a ética. Na visão desse ministro nocivo à Justiça, não devem mais ser punidos aqueles políticos que desrespeitam a lei na disputa eleitoral.

Em outras palavras, está liberada a desorganização e o desrespeito à ordem legal de regência da questão eleitoral, no que se refere à lavagem de dinheiro, corrupção, caixa dois, financiamento de campanha de forma ilícita e imoral. Estamos caminhando para implantarmos, concretamente, a república da suruba, que o grande corrupto senador Romero Jucá defende que deve ser implantada no Brasil. Tudo isso é muito danoso para o país do presente e do futuro, porque nos injeta uma forte dose de desesperança para passarmos o Brasil realmente a limpo dessa canalhice na política e em parte do judiciário, neste, sob a fúria em favor do mal, dessa figura irresponsável e intolerável chamada Gilmar Mendes.(Raimundo Silva é Advogado e Professor)

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