Depressão e ansiedade deixarão mais sequelas do que o coronavírus

Isolamento, solidão e incertezas são os desafios a serem enfrentado/Foto: Reprodução

De acordo com o médico Drauzio Varella, a depressão e a ansiedade causarão mais sequelas do que o coronavírus. Isso porque, ao fazer com que as pessoas se isolem por mais de cinco meses para evitar a propagação do vírus, o nível de incertezas e solidão cresce e, assim, os transtornos podem ser desencadeados ou agravados, dependendo de cada caso.

Para o médico, a formação de grupos e bolhas sociais foi uma etapa importante no desenvolvimento humano ao longo da evolução. Assim, o costume, principalmente da geração atual, sempre foi compartilhar os momentos ao lado das pessoas que gosta. Os sentimentos estão diretamente ligados ao ouvir, ver e tocar. “Gostamos de estar rodeados de pessoas. Não fomos preparados para viver dessa maneira. Depressão e ansiedade serão sequelas da pandemia que vão sobreviver ao vírus”, afirma ele.

Mesmo antes da pandemia do coronavírus, a depressão já era considerada o mal do século. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas, com 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivendo com o transtorno. A entidade vinha discutindo sobre os impactos na saúde mental anteriormente e, com os eventos atuais, acredita-se que a tendência é piorar.

Além da solidão que o período traz, incertezas sobre o futuro, índices de desemprego, preocupação sobre a saúde geral pessoal, de amigos e familiares causam uma sobrecarga psicológica excessiva. A biologia também pode ter uma certa influência nesse esgotamento. Acontece que qualquer situação que represente uma ameaça à vida faz com que os mecanismos de defesa sejam ativados no cérebro humano.

O problema é que, em 2020, o perigo não pode ser combatido de forma simples e a frustração é um dos sentimentos gerados pela impossibilidade de mudança imediata. “Em paralelo ao coronavírus, vemos surgir uma pandemia de medo e estresse”, afirma o psicólogo Felipe Ornell, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Previsão da OMS

A entidade acredita que a depressão será, ainda nesta década, a maior causa de absenteísmo, ou seja, faltas ou afastamentos do trabalho. Entre os que trabalham no mercado financeiro em São Paulo isso já é uma realidade.

Para tentar evitar que esse comportamento seja alastrado para os demais setores e regiões brasileiras, especialistas relatam que manter os colaboradores engajados, felizes e com sentimento de pertencimento aflorado é a chave para fazer com que eles se sintam em um ambiente agradável. Além disso, dar um feedback frequentemente e rever a relação de benefícios que são oferecidos aos profissionais também são itens essenciais.

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