Deputado de RR quebra corrente que protegia terra indígena na divisa com o AM

Foto: Reprodução/Assessoria do Deputado Jefferson Alves

O deputado estadual Jeferson Alves (PTB) cortou nesta sexta-feira (28) a corrente que controla o tráfego entre os estados de Roraima e do Amazonas, na Terra Indígena Waimiri Atroari. O parlamentar usou uma motosserra e um alicate e registrou a ação em vídeos.

A Associação Comunidade Waimiri Atroari emitiu nota de repudio em que acusa o deputado de ter mantido um adulto e um adolescente em cárcere privado durante o ato. A associação afirmou que deve processar o parlamentar e também o acusou de ameaça, sequestro, dano e incitação ao crime.

Nas imagens, o deputado corta o suporte de madeira em que a corrente ficava amarrada com uma motosserra e depois usa também um alicate. Em seguida, coloca a corrente sobre os ombros e caminha em direção a uma câmera, onde é filmado enquanto discursa e acusa a corrente de causar “atraso” ao estado.

As correntes já foram substituídas pelos próprios indígenas que vivem na região, informou a Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Há exatamente um ano eu estava aqui fazendo um apelo às autoridades sobre essa corrente”, afirma o deputado no vídeo enviando pela assessoria. “Nem o Governo Federal, nem as autoridades competentes fizeram nada, mas hoje, se depender de mim, Roraima vai ficar livre desta corrente”.

O Ministério Público Federal entrou com pedido de tutela de emergência à Justiça para que União impeça conflitos na região Waimiri Atroari, com o uso de força policial ou militar na entrada da terra indígena, próximo à Vila do Jundiá, Sul de Roraima.

O Exército foi responsável por iniciar o uso da corrente na década de 1970, quando o batalhão se retirou do posto de fiscalização, o então comandante da guarnição passou o controle para os Waimiri Atroari.

A assessoria do parlamentar afirmou que ele está com a “consciência tranquila” sobre o caso e entende que não cometeu crime porque o uso da corrente é “inconstitucional, ferindo o direito de ir e vir”.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) também se manifestou contra o ato protagonizado pelo parlamentar. Disse que o ato incita e reforça o ódio, a discriminação e preconceito contra povos indígenas “culpando-os como sendo entrave para o desenvolvimento do País”. Veja o vídeo:

Controle de tráfego

A corrente limita o tráfego na BR-174 das 18h30 às 5h30. Fica restrito a passagem de veículos, exceto ambulâncias, carros de autoridades públicas, ônibus e outras situações de emergência. Até as 22h também é liberada a passagem de caminhões com cargas perecíveis.

A legitimidade do uso da corrente pelos indígenas é alvo de discussão na Justiça Federal de Roraima. As comunidades garantem que fazem o controle para evitar acidentes com animais de hábitos noturnos e com indígenas que caçam durante à noite.

Fonte: G1

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