Diagnóstico precoce ajuda na eficácia do tratamento contra as hepatites virais

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Responsável por mais de 500 funções no sistema digestivo, o fígado é um dos órgãos mais importantes do corpo humano, sendo dele a tarefa de, por exemplo, processar bebidas e alimentos para transformá-los em energia, além de remover substâncias tóxicas do organismo. Com tantas atividades, é essencial mantê-lo saudável, evitando doenças que possam comprometer seu desempenho, como as hepatites virais, inflamações que podem apresentar alterações leves, moderadas ou graves.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, as hepatites mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C; e com menor frequência, pelos vírus D (mais comum na região Norte) e E, bem menos frequente no país.

Embora possam variar quanto à transmissão e às sequelas, as formas virais da doença são, geralmente, silenciosas, quase não apresentam sintomas e, quando presentes, se confundem com sinais de outras enfermidades, o que pode retardar o diagnóstico e o início do tratamento.

“Febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos e dor abdominal são alguns dos sintomas mais frequentes, mas o paciente também pode apresentar pele e olhos amarelados, assim como urina mais escura e fezes claras”, orienta o infectologista e consultor médico do Grupo Sabin, Marcelo Cordeiro.

Para conscientizar a população sobre o tema, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho. De acordo com a entidade, na região das Américas, estima-se que apenas 18% das pessoas que vivem com hepatite B, por exemplo, foram diagnosticadas. No caso da hepatite C, supõe-se que somente 22% sabem que têm a doença.

Diagnóstico

Na atenção às hepatites virais, assim como em qualquer doença, o diagnóstico precoce é essencial para auxiliar a eficácia do tratamento. O teste para identificar a doença é feito através de exames de sorologia, como anti-HCV, específico para hepatite C, e o HBsAg, para hepatite B.

“Existem vários exames para a detecção das hepatites virais, inclusive aqueles específicos para cada um dos tipos de vírus. Há os testes rápidos, utilizados para triagem inicial, e os exames adicionais, que confirmam o diagnóstico com mais segurança”, explica Marcelo Cordeiro.

“Os testes bioquímicos detectam se há aumento relevante nas enzimas do fígado (transaminases) que são associadas à lesão do tecido hepático; e por exames sorológicos, conseguimos determinar o agente”, destaca o médico.

Prevenção

O infectologista do Sabin afirma que “manter a higiene dos alimentos e bebidas, lavar sempre as mãos, evitar sexo desprotegido e compartilhamento de objetos perfurocortantes ajudam a prevenir o contágio”, mas, sem dúvida, “a vacina é uma das formas mais eficazes de prevenção à doença”.

O imunizante contra a hepatite A, por exemplo, é recomendado aos 12 meses de idade, com a segunda dose aos 18 meses. Praticamente isento de reações, tem alta taxa de proteção. Também é possível realizar a vacinação em pessoas de outras faixas etárias, mas apenas sob recomendação médica.

Já a vacina contra a hepatite B está disponível para crianças, adolescentes, adultos e idosos. A eficácia é superior a 95%, podendo ser menor em populações especiais, como obesos, diabéticos, pacientes com insuficiência renal crônica e outras situações clínicas. Para as hepatites C, D e E ainda não existem vacinas. No entanto, para a infecção causada pelo vírus C existe tratamento com remédios específicos e taxas de cura de mais de 95%.

Transmissão

As hepatites dos tipos A e E são transmitidas por via oral-fecal, de uma pessoa doente para outra saudável, e por meio de alimentos ou água contaminados.

Já as hepatites B, C, e D podem ser transmitidas de diferentes formas. Entre elas, o sexo desprotegido (sem preservativo); o compartilhamento de objetos pessoais e perfurocortantes (agulhas, lâminas de barbear, seringas, alicates de unha etc.), durante a gravidez (da mãe para o feto) e procedimentos invasivos, como colocação de piercings, tatuagens, brincos, transfusão de sangue, além de cirurgias e tratamentos odontológicos que não sigam as normas de biossegurança.

Hepatites no Brasil e no Amazonas

As hepatites virais já atingiram mais de 680 mil brasileiros nos últimos 21 anos, conforme dados do Boletim Epidemiológico de 2021 do Ministério da Saúde. Já no Amazonas, segundo informações da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), só no ano passado, foram registrados 1.148 casos, sendo 40 de hepatite A; 724 de hepatite B; 336 de hepatite C; e 48 de hepatite D. Não foram registradas ocorrências de hepatite E na região.

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