Dilma classifica de ‘inadmissível’ uso de rede oficial para criticar jornalistas

Dilma Rousseff, em evento, em Osasco-SP/Foto: Letícia Macedo
Dilma Rousseff, em evento, em Osasco-SP/Foto: Letícia Macedo
Dilma Rousseff, em evento, em Osasco-SP/Foto: Letícia Macedo

Um dia após vir à tona que a rede de internet do Palácio do Planalto foi utilizada para modificar os perfis dos jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipedia, a presidente Dilma Rousseff classificou de “absolutamente inadmissível” o episódio.

Durante agenda eleitoral em Osasco, na Grande São Paulo, a chefe do Executivo anunciou ter ordenado a criação de uma comissão interministerial de sindicância para investigar o caso.

“A minha opinião é que [o episódio] é absolutamente inadmissível, por parte do Planalto, por parte do governo federal ou por parte de qualquer governo”, ressaltou a presidente da República.

“Eu repudio integralmente esse tipo de ação, como fiz diante de todos os vazamentos. Neste caso específico, quem quiser fazer individualmente, que faça, mas não coloque o governo no meio”, complementou Dilma.

Reportagem publicada nesta sexta-feira (8) pelo jornal “O Globo” revelou que a rede de internet da Presidência da República foi usada para fazer alterações nos perfis de Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão com o objetivo de criticá-los. Os dois jornalistas são colunistas e comentaristas da TV Globo, do jornal “O Globo” e da rádio CBN.

A Wikipédia é uma enciclopédia virtual e gratuita alimentada por colaborações de usuários da internet. Atualmente, o site mantido pela Fundação Wikimedia possui mais de 30 milhões de artigos, dos quais cerca de 834 mil na língua portuguesa.

Qualquer pessoa pode alterar o conteúdo desses artigos. O registro de edições é armazenado na Wikipédia a partir do endereço de IP do dispositivo responsável pela mudança, que nada mais é do que um número de identificação atribuído a cada aparelho conectado à internet.

A Casa Civil divulgou na manhã deste sábado nota em que informa a criação de uma comissão de sindicância formada por vários órgãos e ministérios para apurar o caso.

A comissão será integrada pela própria Casa Civil, representada pela autarquia Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, pelo Ministério da Justiça, com a participação da Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União e pela Secretaria-Geral da Presidência da República.

Na noite de ontem, sexta-feira, a Secretaria de Administração da Presidência, vinculada à Secretaria-Geral, já havia informado que iria apurar o uso da rede de internet do Palácio do Planalto, com prazo de 60 dias para apuração. O anúncio ocorreu horas após a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmar que é “impossível” identificar os responsáveis.

Agenda em Osasco

Candidata à reeleição, Dilma Rousseff participou de um evento eleitoral nas ruas de Osasco neste sábado. Cercada por militantes na área central da cidade da região metropolitana de São Paulo, a petista passeou, na caçamba de uma caminhonete, por vias da cidade. Ela estava acompanhada pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, e pelo ex-ministro da Saúde e candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha.

Em seu discurso no evento, a presidente defendeu o ensino integral no país, mas não chegou a anunciar nenhuma proposta para implementar o sistema, caso seja reeleita.

“Nenhum país ficou rico sem ter ensino integral. Nós temos que dar escola em tempo integral para todas as crianças deste país”, declarou.

A presidente também disse ser preciso garantir aos brasileiros acesso ao ensino superior e defendeu o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), iniciativa federal que garante bolsas de estudos para cursos de ensino técnico.

Veja a íntegra da nota divulgada neste sábado pela Casa Civil:

A presidenta Dilma Rousseff determinou à Casa Civil a constituição imediata de comissão de sindicância para apurar a utilização de computadores do Palácio do Planalto para alterações no Wikipedia.

A comissão será formada pela Casa Civil/Instituto Nacional de Tecnologia da Informação; Ministério das Justiça/Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e Secretaria Geral da Presidência da República.(G1)

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