Ética descartável – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

Vez por outra volta à agenda nacional a discussão em torno do comportamento ético dos homens que exercem cargos ou funções públicas. Aqueles que transitam na esfera que decide a vida dos cidadãos.

A questão de fundo diz respeito à troca de valores por essas pessoas. Explicitando melhor: o indivíduo defende, de forma veemente, princípios que diz serem impostergáveis enquanto cidadão comum ou postulante de qualquer cargo, porém muda suas opções fundamentais quando investido nas diversas funções de Poder. Nesse passo, temos o “ético” senador Chico Rodrigues, flagrado com dinheiro que era para a pandemia em suas nádegas.

O que me impressiona é o valor mesmo que seja em notas de duzentos reais ( e aqui pra nós o lobo guará devia estar com o nariz tapado), trinta e três mil reais, e depois ainda ficaram duzentos e cinquenta reais, dizem os que fizeram a apreensão muitos sujos, sinal que o senador não prezava pela higiene.

O amável leitor, já formulou um juízo a esse respeito? Via-se e ouvia-se nos discursos do senador, que “a ética era fator imprescindível para que este país acabasse com a impunidade e a corrupção”. Antes de qualquer coisa, é importante esclarecer que a ética, mesmo não sendo formada por princípios estanques, mas algo aberto e em permanente estado de transformação, é uma realidade que significa adesão a valores fundamentais, com vistas ao bom viver.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

São diretrizes imprescindíveis, como a da honestidade, o do respeito à vida, à proteção ao meio ambiente, a da solidariedade etc. Kant a esse respeito dizia: “Você deve comportar-se de tal modo que possa dizer a todo mundo: comporte-se como eu”. Pois bem, quando falamos que uma pessoa não tem ética, estamos a dizer que ela não age de acordo com os parâmetros do senso comum, como a queremos agindo. Ou seja, aquela pessoa não atua na sociedade de forma coerente e previsível. Ela nega ou simplesmente descumpre os valores fundamentais.

Nesse caso, é bem provável que esteja agindo com oportunismo, mediante vantagens que lhe ofereceram ou coisa que o valha. Essa mudança faz colidir a ética com a moral, já que aquela deve ser consequência inevitável desta. Diante disso, forçoso é concluir-se que, das duas uma: ou o exercício do Poder, qualquer que seja ele, é amoral e, pois, justifica o descarte de valores, porque o seu desenrolar exige pragmatismo e utilitarismo no grau máximo e nesse caso até tirar-se dele proveito pessoal estaria plenamente justificado ou, então, essa atitude é traição aos postulados da vida social democrática e, como tal, precisa ser denunciada e combatida, nem que seja com a simples demonstração de indignação. Ou com o humor e a ironia de Millôr Fernandes, que diante de tanta vergonha exclamou: “Parem o Mundo que eu quero descer

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