Extração ilegal de ouro ameaça famílias indígenas no Vale do Javari

Garimpo aterroriza indígenas no Vale do Javari, que fica a cinco dias da sede do município de Jutaí viajando pelo rio – foto: Extra

Lideranças indígenas denunciam que garimpeiros embriagados, que se instalaram com mais de 10 dragas ao longo do rio Jutaí, na terra indígena do Vale do Javari para a extração ilegal de ouro, passaram a assediar e ameaçar mulheres e homens da tribo Tsohom Djapa.

A informação foi divulgada pelo vereador Adelson Korá Kanamary (PT) que é também membro da Associação Kanamary do Vale do Javari – Akavaja.

O Coordenador da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Paulo Doliis Barbosa da Silva, disse que já comunicou o ocorrido à Coordenação Técnica Local da Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao Ministério Público Federal da cidade de Tabatinga (AM).

De acordo com lideranças da aldeia Jarinal, os garimpeiros estão entrando na aldeia, levando bebidas alcóolicas e assediando as mulheres. Sob efeito de bebidas elas passam a ameaçar os homens que reagem ao assédio às suas esposas e filhas.

A aldeia Jarinal fica a cinco dias da sede do município de Jutaí viajando de embarcação pequena. Ali vivem 150 indígenas Kanamary e 42 do povo Tsohom Djapa, que é um povo de pouco contato com não indígenas.

A Coordenadora da Funai local, sediada em Atalaia do Norte, disse que operações para retirada de garimpeiros costumam envolver vários órgãos governamentais naquela região em virtude das dificuldades de acesso aos locais onde os invasores se instalam.

Com frequência as organizações indígenas têm denunciado invasões à terra indígena Vale do Javari. Pescadores, caçadores, traficantes e garimpeiros tem causado conflito em várias localidades afetando, inclusive, povos de pouco ou nenhum contato com a sociedade envolvente.

Em setembro de 2017 O Ministério Público Federal do Amazonas chegou a confirmar a ocorrência de um massacre contra índios isolados na Terra Indígena Vale do Javari. Segundo o MPF garimpeiros teriam assassinado índios conhecidos como “flecheiros” em agosto daquele ano no rio Jandiatuba, afluente do rio Solimões, no município de São Paulo de Olivença, na fronteira com Peru e Colômbia.

De acordo com a coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari ali existem ao redor de 18 povos que se mantém sem contato com a sociedade não indígena.

A coordenação da Univaja diz que está aguardando um posicionamento oficial da Funai e do Ministério Público  Federal quanto às providências a serem tomadas para resguardar o território e a integridade dos moradores da aldeia Jarinal.

Conselho Indigenista Missionário – CIMI – Regional Norte I (AM/RR)

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