Grupo pede que PGR investigue emprego de Moro na consultoria dos EUA

O grupo lembra que enquanto juiz da Lava Jato, Sergio Moro ajudou a destruir empresas impondo “a necessidade de pesados investimentos na contratação desse tipo de consultoria” – foto: 247/montagem

Em artigo publicado no jornal Estado de S.Paulo nesta terça-feira, 1, o Grupo Prerrogativas defendeu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue a contratação do ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro por consultoria dos Estados Unidos.

A consultoria Alvarez & Marsal (A&M), com sede nos Estados Unidos e que administra a recuperação judicial da Odebrecht e OAS, anunciou na noite de domingo, 29, que Moro será seu sócio. Com isso, a pessoa que quebrou as duas empresas, agora irá trabalhar na gestão do desastre causado por ele próprio.

“Enquanto juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, as decisões proferidas por Sérgio Moro provocaram significativos impactos políticos, sociais e econômicos ao país.

Como algoz dos setores estratégicos da indústria nacional de infraestrutura, a operação liderada por Sérgio Moro impôs a necessidade de pesados investimentos na contratação desse tipo de consultoria, justamente pelas empresas que investigou e agora remuneram esse serviço”, destaca o artigo do Grupo Prerrogativas.

É urgente e fundamental que se dê transparência à contratação de Sérgio Moro pela consultoria norte-americana Alvarez & Marsal.

Ao ser anunciado como novo sócio diretor da companhia no país, foram destacados como atributos do ex-juiz a “liderança de investigações anticorrupção” e o “aconselhamento de clientes”.

Se a experiência em liderar investigações e aconselhar clientes já seria algo inusitado na carreira de um juiz e ministro de Estado, notadamente quando apresentados como qualidades para justificar o cargo de direção em uma empresa norte-americana, a situação se torna ainda mais nebulosa ao descobrirmos quem são os clientes dessa consultoria.

Segundo noticiado em veículos de comunicação, a consultoria Alvarez & Marsal é administradora judicial do Grupo Odebrecht e presta serviços à OAS, Queiroz Galvão e Sete Brasil, todas investigadas pelo novo sócio diretor da companhia durante a Operação Lava Jato.

Enquanto juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, as decisões proferidas por Sérgio Moro provocaram significativos impactos políticos, sociais e econômicos ao país. Como algoz dos setores estratégicos da indústria nacional de infraestrutura, a operação liderada por Sérgio Moro impôs a necessidade de pesados investimentos na contratação desse tipo de consultoria, justamente pelas empresas que investigou e agora remuneram esse serviço.

Também sob a condução do juiz Sérgio Moro, foram concedidos diversos benefícios aos grupos empresariais e seus dirigentes, que tiveram significativa redução em suas penas criminais e sanções patrimoniais, no bojo dos maiores acordos de leniência e delação premiada que se tem conhecimento na história.

É preciso lembrar que alguns desses benefícios foram concedidos sem base legal, como a criação da figura do “delator informal” na sentença de Sérgio Moro no caso Triplex, para beneficiar Léo Pinheiro e Agenor Medeiros pelas declarações que embasaram a condenação do ex-presidente Lula. Ambos atuavam como dirigentes da OAS, que mais tarde passou a remunerar a atual empresa de Sérgio Moro.

Além disso, é evidente que, durante o período que liderou a Operação Lava Jato, Sérgio Moro teve amplo acesso a documentos e elementos de prova referentes às empresas para a qual poderá agora prestar serviço e ser remunerado, muitos dos quais ainda permanecem em sigilo e podem ensejar novas medidas investigativas, circunstância que inevitavelmente poderá ser utilizada em benefício da atual administração.

Não há dúvida de que, segundo a lógica que inspirou os trabalhos da Operação Lava Jato, situações dessa natureza seriam caracterizadas como justa causa para investigação criminal, acompanhada de prisões preventivas, buscas e apreensões, conduções coercitivas, quebra de sigilo bancário, bloqueio de bens e condenações pelo crime de corrupção.

Evidentemente, não desejamos que os métodos arbitrários característicos do juiz Sérgio Moro sejam usados para perseguir o novo consultor Sérgio Moro. Mas o nobre propósito que inspirou a Operação Lava Jato é o mesmo que nos levar a cobrar transparência nas relações, condições, valores e remunerações envolvidos nos contratos celebrados entre a consultoria norte-americana Alvarez & Marsal, Sérgio Moro e as empresas investigadas na Operação Lava Jato.

Com a palavra o ilustre Procurador Geral da República, que diante do notório interesse público em desvelar as circunstâncias dessa trama, deverá conduzir os trabalhos investigativos destinados a trazer luz aos fatos hoje obscuros, assegurando-se o direito a ampla defesa de Sérgio Moro e seus novos clientes.

Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui