Luciano Huck manda recado para Bolsonaro 

Foto: Reprodução

Em uma importante sinalização política, Luciano Huck enviou um forte recado ao presidente Jair Bolsonaro neste domingo, 7, ao terminar o Domingão‘, seu programa na Rede Globo.

Lembrando que a “arte e a democracia sempre andaram juntas nas defesas das liberdades”, o apresentador defendeu abertamente a leitura da carta em defesa do país e do processo eleitoral, que acontecerá nesta semana na Universidade de São Paulo, a USP.

A leitura ocorrerá na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco e tem por inspiração outra missiva – a “Carta aos Brasileiros” –, lida no mesmo local em 1977, em repúdio à ditadura militar.

Para se ter uma ideia do tom do texto, ela cita a campanha de 2022 como um “momento de imenso perigo para a normalidade democrática”. Com cerca de 1 milhão de assinaturas, a carta incomodou Bolsonaro e fez com que ele diminuísse a importância dela em discursos.

Huck, um dos nomes cotados para liderar a chamada terceira via nesta eleição – e que desistiu de concorrer mesmo pontuando acima de dois dígitos em pesquisas de intenção de votos –, fez um manifesto próprio em defesa da Carta às Brasileiras e aos Brasileiros, ao terminar o programa.

“A gente tem que garantir que o resultado da eleição seja respeitado, que todas as vozes sejam ouvidas, como tem sido desde a redemocratização do Brasil”, disse, em tom semelhante ao do texto, que defende o Estado Democrático de Direito.

“Esta carta já tem quase 1 milhão de assinaturas e foi escrita por pessoas de todos os setores da sociedade. Eu tenho certeza que eu, as pessoas da plateia, os convidados… A gente não pensa exatamente igual, a gente pensa diferente em muitas questões, e isso é a base da democracia, a gente avança assim. Pensar diferente não torna ninguém inimigo de ninguém.”

Segundo interlocutores do apresentador, mesmo sendo um crítico pontual do ex-presidente Lula e do PT, Huck neste movimento quis deixar evidente que fazia uma forte crítica contra o atual presidente, indicando que, para ele, um novo ciclo bolsonarista seria penoso e perigoso para o país.

Movimento semelhante fez Simone Tebet, última remanescente dessa chamada terceira-via-raiz, que – ao ter o nome oficializado como candidata do MDB – dirigiu críticas muito mais duras e ácidas ao atual presidente do que a Lula. À coluna, a senadora fez, recentemente, um desabafo, afirmando ser, entretanto, um “equívoco achar que o centro tem que ir no primeiro turno com Lula”.

Alguns líderes da terceira via têm acertado ao diferenciar Lula – com uma trajetória de serviços à democracia brasileira – de Bolsonaro, eterno defensor da ditadura militar, da tortura, e que ataca constantemente às instituições democráticas e os órgãos de controle do país.

Uma das avaliações que a coluna ouviu reservadamente de nomes da terceira é que seria importante que Simone Tebet conseguisse uma votação mais robusta – falam em ao menos 8% dos votos no primeiro turno.
Esse seria um “capital político importante para negociar uma agenda programática com petista em um eventual segundo turno”, disseram para este espaço.

Em levantamentos realizados por alguns institutos, Lula tem conseguido pontuar sempre em primeiro lugar, com chances de vencer o pleito no primeiro turno, enquanto Simone patina e não ultrapassa os 2%. Por enquanto, o pleito está muito cristalizado entre os dois principais candidatos.

Para crescer e realizar esse projeto de ter densidade para uma negociação política, Simone Tebet teria que conquistar indecisos ou tomar votos dos líderes das pesquisas. Os próximos dois meses, com a campanha eleitoral no rádio e na televisão, serão decisivos para ver se é possível – ou apenas mais um sonho – a chamada terceira via.

Fonte: Veja

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