Mais uma “desfeita” de Bolsonaro, dessa vez contra ministro Francês

Cortando cabelo, no horário da agenda com ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian – foto: banco de dados do Google

O jornal frances Le Monde, que chegou às bancas na tarde desta quarta-feira (31) relata como “alguns minutos depois de cancelar ‘por razões de agenda’ a reunião com o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, Bolsonaro, que é apresentado como “o presidente de extrema-direita”, apareceu nas redes sociais enquanto tinha o seu cabelo cortado.

A cena “mergulhou o Quai d’Orsay (como é chamada a diplomacia francesa) em estupefação”, continua o vespertino.

“O chefe de Estado tinha visivelmente coisa melhor para fazer”, lança o canal BFMTV. “Será que foi uma maneira de mostrar sua independência da França”, questiona a emissora em seu site.

Para Le Monde, “a ânsia do chefe de Estado em ajeitar o corte de cabelo não deve nada ao acaso”. Ao aparecer publicamente com o cabeleireiro em vez de ao lado de um dos pesos-pesados do governo francês, Jair Bolsonaro “afirma sua soberania tanto quanto seu desprezo pelo discurso moralizador de Paris em relação ao meio ambiente”.

Isso porque, lembra o vespertino, Bolsonaro não gostou de ser provocado durante o G20, em Osaka, em junho. “O presidente francês, Emmanuel Macron, o fez prometer respeitar o Acordo de Paris assinado em 2015, fazendo deste engajamento uma condição sine qua non para a conclusão do tratado de livre-comércio entre os países do Mercosul e a União Europeia.

Em seguida, Bolsonaro parece ter esquecido de sua promessa, sendo indiferente, mesmo complacente em relação aos atores de crimes ambientais”, explica Le Monde.

“À diplomacia, Jair Bolsonaro prefere a provocação, mas, em um confronto, o chefe de Estado brasileiro favorece a humilhação do adversário”, diz o trecho de abertura da matéria, escrita pela correspondente do Le Monde em São Paulo, Claire Gatinois.

Edição do Le Monde nesse dia 31 de julho – foto: recorte

Em seu último discurso em Brasília, diante do chanceler brasileiro Ernesto Araújo, Le Drian não abordou a ausência de Bolsonaro, relata BFMTV. O francês lembrou apenas os temas que “preocupam” Paris no que diz respeito ao acordo com o Mercosul, validado por Bruxelas, mas que ainda precisa ser ratificado pelos países do bloco: a implementação do Acordo Climático, o respeito das normas ambientais e sanitárias francesas e a proteção dos setores agrícolas mais sensíveis.

Le Drian manteve a “calma dos velhos de guerra”, tendo “entendido a mensagem” dirigida à França, segundo uma fonte próxima ao ministro, citada pelo Le Monde. “A França não tem pressa de ratificar o tratado entre o Mercosul e a União Europeia”, disse a mesma fonte.

Mais de mil empresas francesas no Brasil

Fréderic Junck, presidente do Conselho do Comércio Exterior da França no Brasil avalia em entrevista ao Les Echos, o principal jornal econômico francês, que a reunião anulada com Bolsonaro não é uma boa coisa para as relações entre os dois países.

O diáriolembra que mais de 1.000 empresas francesas estão instaladas no Brasil, representam € 30 bilhões de investimentos diretos e meio milhão de empregos. “Esperamos que Le Drian, que tem décadas de experiência, inclusive como ministro da Defesa, saberá distinguir as coisas”.

A diplomacia francesa foi questionada por jornalistas, em Paris, sobre a postura que seria adotada pelo governo em resposta à atitude de Bolsonaro. O Quai d’Orsay disse que “não fará nenhum comentário” sobre o assunto, além do que já foi dito pelo chanceler francês no Brasil.

Em sua conta no Twitter, Le Drian aparece em fotos de governadores de nove estados do Norte e Nordeste do Brasil, junto com Ernesto Araújo, ou ainda cumprimentando João Doria, governador de São Paulo, estado apresentado como a “locomotiva econômica do país” em encontros “muito produtivos”. Em nenhum momento o encontro anulado com Bolsonaro é citado na rede social.

RFI BRAZILIAN

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