Manto da hipocrisia – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

O Brasil e suas patentes criadas sob o manto do ridículo e da hipocrisia. Só aqui se criam tantos heróis, estadistas, intelectuais, reis, donos – de qualquer coisa, mitos – de todas as espécies, autoridades – até de seguranças de bordéis, sempre forjados por abilolamentos de puxa-sacos de ocasião. Isso não é de agora há pouco, num instantinho de nada, não.

Faz muito tempo. E nesse espicha e encolhe, tudo vai sendo levado adiante, confundindo desde a maioria dos escolares de maternais às centenas de empertigados universitários sem preparos, saídos de um sem número de novos colégios, cursinhos e faculdades particulares fundados, afundando de dinheiro os cofrinhos de seus respectivos empresários do ensino. De heróis não se tem conta. Para se ter um exemplo, um jogador de futebol que faz um gol nos minutos finais e o seu time empata ou ganha uma partida – vai ter a glória do fim de semana, mas será constantemente lembrado quando outro repetir a mesma façanha. São heróis de toda qualidade. Foi Caramuru e cia, Zumbi, Lampião, Anita Garibaldi, Almirante Tamandaré, general Mourão, o bispo Sardinha, João Pessoa, Mascarenhas de Morais, Luís Carlos Prestes, Marighela, Antônio Conselheiro e uma porção de outros.

Estadistas – desses nem é bom falar – tem uma ruma num rol de rolar máquina de calcular. Já me falaram de 148 – o 149º provavelmente vai ser o nosso Bolsonaro lá, de cá – grandões, principalmente quando morrem. Quando vivo, todo político se embasbaca todinho quando algum colega, correligionário, parceiro, áulico ou jornalista anuncia que o dito é “um verdadeiro estadista”. Não há quem aguente tanto chaleirismo. Para não deixar de citar nomes, ouvi falar em Pinheiro Machado, Borges de Medeiros, Floriano Peixoto, Agamenon Magalhães, o governador Valadares, Otávio Mangabeira, Castelo Branco, Sarney, ACM, Paes de Andrade, Fernando Collor e FHC – para ficar por aqui, pois o Barão de Rio Branco, Getúlio Vargas e Juscelino, que poucos mencionam, talvez fossem os únicos que realmente merecessem o título.

Intelectuais – até briga de foices e vaidades familiares. Todo mundo quer ser ou apenas chamado de intelectual, sem lembrar que são contados nos dedos – se brincar, de uma só mão – os brilhantes literatos de tão grau de qualidade cultural, capitaneados por Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Os reis, então com toda vênia, são excelências de majestades em todos os segmentos nacionais – viraram produtos. É rei ou rainha do brega, do futebol, do rock, do boxe e do mangue, dos baixinhos, do rap, do baião, do rebolado e do bumbum, da televisão, da jovem-guarda, dos golpes etc. Somente o de Momo, na realidade, é que vale.

Quanto aos mitos – uns políticos, é claro – que geralmente fizeram ou fazem o tipo, lá se vem o Padre Cícero, Chiquinha Gonzaga, Miguel Arraes, Carmem Miranda, Gregório Bezerra, Frei Damião, Luz Del Fuego, Tenório Cavalcanti e Madame Satã e outros às pampas. No quesito donos – é quem a “elite” elege – são gordos e sacanas. E na lista de autoridades, paciência, há anos estamos carentes.

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