Moro é um “fora da lei” – por Pedro Maciel

Moro e Dallagnol à margem da Lei - foto: recorte/montagem

A decisão da 2ª Turma do STF terminou com o delírio histérico de “lavajatistas” e de parcela dos “bolsoclorominions”, tornou Moro, e a quadrilha de Curitiba, oficialmente, os fora-da-lei restabelecendo a necessária fé que, cada um de nós, precisa ter e manter no Poder Judiciário.

Mas há muitas outras batalhas a vencer. 

Nos últimos sete anos o combate à corrupção foi apresentado, pela mídia e por diversos atores políticos, como a principal ou única agenda nacional, em torno da qual o Governo Federal deveria e seria obrigado a mover-se, quase que exclusivamente.

Essa falácia, somada à fraude construída pela narrativa da lava-jato, a ajuda da mídia e da plutocracia, a incapacidade de a esquerda responder com honestidade críticas que a ela foram dirigidas, levou Bolsonaro à presidência da república. Logo ele, um defensor confesso de privilégios.

Mas voltando à agenda do combate à corrupção. Será que o combate à corrupção é a principal ação dos governos? Penso que o combate à corrupção é essencial, mas não é uma agenda propriamente dita, não se deve suspender os programas e projetos de Estado ou de governo por conta disso.

O combate à corrupção deve estar contido nas ações cidadãs, nas ações de governo e de Estado, de todas as estruturas e instituições públicas e privadas do país.

Cabe às pessoas de bem, denunciar, conhecer e combater os efeitos e eliminar as causas e para isso se faz necessário entender as raízes da corrupção, não podemos temer enfrentar o tema.

A bandeira do combate à corrupção, desde 2014 – apoiado pelos maiores veículos de comunicação do Brasil e por setores do establishment -, não foi abraçado, assumido ou protagonizado pela esquerda brasileira, mas pela direita. Mas por que, se o combate à corrupção nunca foi bandeira dos setores conservadores, salvo episodicamente e de forma oportunista e distorcida?

Até porque há uma contradição lógica entre os valores do sistema capitalista, onde o que vigora são os interesses individuais e imediatos, e outro sistema que respeite os Direitos Humanos, em contraposição ao sistema capitalista liberal.

Então por que a esquerda não foi protagonista desse movimento de combate à corrupção? Afinal, foi nos governos Lula e Dilma que mais se avançou nessa quadra.

Penso que como alguns dos nossos quadros foram envolvidos, ou envolveram-se, em denúncias de participação em malfeitos, o que acabou nos colocando na defensiva. Ficar na defensiva foi um erro tático.

É verdade que há notícias de quem em 2011, quadros importantes da esquerda, como Walter Pomar e do PCdoB, como Nádia Campeão, orientaram publicamente os dirigentes e quadros desses partidos a conhecer, denunciar, combater os efeitos e eliminar as causas da corrupção.

É fundamental que o combate à corrupção volte a ser uma bandeira nossa, da esquerda, dos democratas, dos setores progressistas, dos partidos políticos, dos intelectuais, dos estudantes e das centrais sindicais etc., mas não no sentido “moralista” da velha UDN e seus herdeiros.

Assumir o combate à corrupção, separando a luta genuína do indesejado moralismo lacerdista, é fundamental, só a esquerda pode combater a corrupção com honestidade, só os setores democratas podem fazer isso.

Mas nossos líderes, que se transformaram em reféns de um discurso moralista, o qual ressuscitou a mesma tática usada para alçar Collor ao cenário nacional como o “caçador de marajás”, narrativa que elegeu Bolsonaro e transformou um farsante em herói, eis o objetivo oculto dessa retórica rasa e frágil da direita. Lula nos libertou disso tudo, provou que “quem não deve, não teme”.

O papel de enfrentar as estruturas hipócritas e corruptas, que se apropriaram da bandeira de combate à corrupção, é dos partidos políticos, da imprensa livre, dos intelectuais, estudantes, da sociedade, dos sindicatos; esse papel é sempre da sociedade.

Precisamos debater. A falta de debate político fez com que setores da sociedade, especialmente a classe média, fossem cooptados por um discurso moralista, narrativa que “colou” a corrupção à esquerda, “e não fizemos nada” efetivo.

Por quê?

Talvez alguns de nossos líderes estivessem preocupados demais com as próximas eleições, ou com os seus novos amigos do mundo corporativo, espero que tenham aprendido, quem são seus companheiros. Temos que dar alguns passos à frente e voltar trabalhar para mudar o mundo, ao invés de trabalhar apenas para vencer as próximas eleições.

O problema maior desse país não é a corrupção, ou a ganância, nunca foi o problema principal tem origem num sistema que nos incita a sermos corruptos. O capitalismo é fundamentalmente corrupto e corruptor, o capitalismo é o inimigo. Precisamos de uma sociedade pronta a transformar democraticamente as injustiças sistêmicas e estruturais.

Se alguns dos nossos mais importantes líderes foram cooptados pelo sistema, ou submeteram-se a ele, tudo em nome da governabilidade, não podemos errar novamente. E se, lamentavelmente, algum companheiro ou camarada passou a agir de modo diverso dos padrões éticos da esquerda, deixando-se cooptar pelo sistema econômico corrupto, corruptor e corrompido, se passou a favorecer interesses particulares ou de grupos, em troca de recompensa, com ele teremos de agir com o rigor.

O que tem de ser denunciado e combatido é um sistema econômico que corrompe; um sistema que financia a eternização do debate sobre a necessária reforma política no Brasil, sem que ela (a reforma) ocorra de forma efetiva, pois não há interesse genuíno nela.

Temos de combater a corrupção estrutural e sistêmica, e buscar elementos estruturantes da mudança, temos que diminuir o poder e a influência dos interesses privados, aliás, esse conceito é harmônico com a nossa ordem econômica constitucional, basta olhar nos artigos 170 e seguintes da CF.

Graças a Lula temos uma nova caminhada pela frente, pois “outros outubros virão” e temos de estar reconciliados com nossos sonhos.

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