Não vote – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

Desprovido de assunto para artigo, pois já escrevi sobre o coronavirus que além de virar pandemia, está mudando os hábitos das pessoas, e tendo em vista a definição das próximas eleições para novembro, resolvi fazer um pedido ao caro leitor/eleitor sendo um ano de eleições municipais. O pedido é para que não vote em quem oferece o impossível.

Não vote em quem usa argumentos difíceis de entender e flexíveis para manipular. Não vote em sorriso fácil. Não vote em abraços que apertam como verdadeiros tentáculos. Não vote em quem ofereça tudo quando não restará mais nada da sua cidade, do seu país, da sua vida. Não vote em candidato sujão — como justificar amor pela cidade se nem os postes, as ruas, o silêncio, as praças são respeitados? Não vote em candidato que se vangloria só de ser experiente — a experiência não precisa ser proclamada, pois se o tempo de atuação da ‘‘celebridade’’ foi realmente útil, todos já sabem e não precisam ser lembrados.

As Comunidades Eclesiais de Base da antiga Teologia da Libertação foram as pioneiras nessa meritória tentativa de luta pelo voto consciente. Parece que a semente germinou. Hoje são muitas as organizações civis com cartilhas, corpo-a-corpo e muita atitude para evitar a irresponsável negociata da baixa-democracia: manter o voto no cabresto da religião, ou seita, ou parentesco, ou interesse mesquinho da vantagem. Esta é a grande eleição da encruzilhada paroquial.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

Nunca as pressões econômicas estiveram tão claras. Nunca o nivelamento, à força, da ‘‘conduta’’ dos candidatos foi tão incisiva para ‘‘evitar pânico’’ nos mercados e soar quase como chantagem. Nunca a insegurança e a eminência de ruptura estiveram tão próximas. Daí a emergência do voto preciso e precioso. Conduzir a escolha de cada um como o convite e a permissão que oferecemos ao candidato. Será ele o gerente da nossa cidade e os vereadores caberá a fiscalização. Será ele o escolhido pela nossa vontade ou imposto pela nossa omissão.

É duro chorar o voto derramado por longos anos. Pior ainda é ser traído na confiança depositada e permitir que tudo aconteça outra vez. Como este voto de agora deverá ser pensado e como nunca foi tão sagrado. Como o papel da mídia poderá ser decisivo se conseguir escapar do show da notícia (ou da burocrática cobertura de agendas, fofocas e baixarias) e ir um pouco além do rasteiro: chegar ao conteúdo mínimo capaz de mostrar caráter e valores humanos fora do discurso. Não vote na mentira. É só comparar o que o candidato diz e como o candidato vive. É só ficar atento em como o candidato fala e o que o candidato faz. É só não aceitar tudo sem perguntar por quê.

Uma eleição pode parecer um espetáculo e, até seria bem-vinda a festa em um momento de afirmar a cidadania. Mas quem diverte geralmente detesta divergir. Quem entorpece recusa-se a discutir. Ganha no grito. Só o cidadão que se auto elegeu senhor da própria vida pode eleger pessoas livres para uma cidade e um país libertos. Esta eleição confirmará nosso amadurecimento de escolha ou servirá para referendar que até as liberdades viraram um joguinho emocional de cartas remarcadas. Faça a diferença, não vote em quem dispensa. A verdade é o sal que tempera a ética. Sem este, aquela torna-se insossa e logo se deteriora. No exercício da política, o desprezo pela verdade é ainda mais grave, pois frustra esperanças coletivas e abala a autoridade pública. Isto sem falar do plano maior, onde a verdade é um dos três frutos da luz divina. Pense… faça a diferença.

 

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