No reino do faz de conta – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

Tudo bem, o senhor é um homem honrado e bem-intencionado. E agora está eleito presidente da República. Em sua vida pregressa, que já é de bom tamanho, nada existe em desabono à sua honestidade. Ao contrário, até sobram exemplos de sua inteireza de caráter. Tem mais: todo seu passado demonstra que jamais foi ambicioso, seja por dinheiro, seja por honrarias. O contrário é que é verdadeiro: abundam as provas de que sempre se revelou pessoa desapegada aos bens materiais e discreta.

Outros atributos que lhes são justamente conferidos: inteligente, dono de invejáveis conhecimentos sobre economia, direito, sociologia e outras áreas culturais. Quanto ao seu temperamento, o menos que se reconhece é que o senhor é afável, conciliador, alegre, trabalhador incansável e chefe de família exemplar. Ídem um grande patriota, sempre preocupado com os superiores interesses da pátria, e muito sensível aos problemas sociais.

Enfim, o senhor é o símbolo do ser superior com o qual Deus deve ter sonhado ao criar a humanidade. Apesar de todas essas virtudes, a escolha de seu nome para presidente da República foi um consenso quase absoluto.Tudo ótimo. Agora chegou o momento em que, passado um ano quase de empossado, tem necessidade-dever de continuar seu governo; com a escolha de seus colaboradores – ministros e demais integrantes do primeiro, do segundo, terceiro e demais escalões da administração, sem nenhuma mácula. Diante de tal responsabilidade, recolhe-se a seu gabinete, examina a relação e o número desses cargos e começa a fazer sua seleção. Dá tratos à sua memória e vai anotando os nomes das pessoas de sua confiança que preencham os requisitos que lhe parecem indispensáveis para ocupar os cargos de confiança.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

A tarefa está ficando um pouco árdua, não é mesmo? Não desista, porém. Não é nada fácil relacionar tantos nomes para preencher tantos cargos em tantos e tão remotos pontos do país – no norte, no sul, no leste, no oeste e no nordeste do país. Do Oiapoque ao Chuí, enfim… Continue pensando e lembrando. Cabeça e memória foram feitas para isso. Está ficando cansado de tanto esforço?

Não desanime, porém. E não capitule diante do receio de que, por informações de terceiros, venha a indicar pessoas erradas para funções tão exigentes e de tamanho interesse público. Ainda assim, não desista… Dê seguimento a seu esforço. E, se sentir exausto e mortificado pelas dúvidas, descanse um pouco. Crente em Deus como é, implore pela inspiração divina. Talvez por aí o senhor, meu caro presidente, consiga o quase milagre de selecionar os nomes certos para os lugares certos.

Gente da qual se possa comprar um carro usado, pessoas que não se dediquem ao comércio de vender gatos por lebres. E trate de manter sua convicção de que, a partir de agora, tal como dizia em seus discursos, seus únicos compromissos são com o povo e não com as esdrúxulas coligações partidárias que o fizeram candidato, menos ainda com os mercadores oportunistas que financiaram sua campanha…Como seria bom se isso fosse verdade, mas nosso Presidente nada tem de afável e de conhecedor dos problemas brasileiros, é um boquirroto e tem em seus filhos talvez o maior empecilho de governar.

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