O Amazonas tem “Uma Arena maravilhosa e uma FAF horrorosa”

Arena da Amazônia

Arena da Amazônia
Arena da Amazônia

A semana passada os times amazonenses Princesa do Solimões perdeu para o Figueirense por 2×1 e o Nacional Esporte Clube empatou dentro de casa com o Bahia em 0x0, na primeira fase da Copa do Brasil. O primeiro está fora, o segundo ainda vai tentar vencer o adversário, no jogo de volta, para se manter na competição. O que tem de diferente nesses resultados?
Nada!!!… Mas resume uma frase dita pelo deputado Luiz Castro (PPS) no plenário da Assembléia Legislativa do Estado (ALEAM) na mesma semana dos jogos. Na ocasião ele disse que o Amazonas tem uma “Arena maravilhosa e uma FAF horrorosa”. Que em outras palavras, quer dizer: a Federação Amazonense de Futebol (FAF) tem uma direção descompromissada com o desenvolvimento do futebol do Estado, tem dirigentes sem credibilidade e com fortes indícios de corrupção, sendo apurados pelo Ministério Público (MP).

Francisco das Chagas Dissica Valério Tomaz
Francisco das Chagas Dissica Valério Tomaz

Os indícios de corrupção na FAF impedem, entre outras questões, os investimentos em projetos efetivos para o futebol e um verdadeiro plano de resgate do futebol do Estado, acentuou o deputado. O fracasso dos times amazonenses nos últimos 30 anos, entretanto, não se resumem a isso. Passam também, pela perpetuação do principal dirigente, Francisco das Chagas Dissica Valério Tomaz (PMDB), que está na Federação Amazonense de Futebol há 26 anos, ininterruptamente. Simultaneamente, ele foi prefeito da cidade Eirunepé (município a 1.159 quilômetros de Manaus), onde responde por crime de responsabilidade fiscal (inciso I, art. 1º, Decreto-Lei nº 201/67, c/c art. 29 do Código Penal Brasileiro). Ele também teve bens leiloados, contas reprovadas pelo TCE, denúncia de falsificação de documentos e outros tantos problemas jurídicos.
Mesmo assim, Francisco das Chagas Dissica Valério Tomaz foi novamente guindado ao cargo de presidente da FAF nas eleições de outubro de 2014, quando apareceu se gabando da sua 7º reeleição, como se fosse a primeira, mesmo sendo investigado em outro processo, o de nº 2010.004497-9, por corrupção ativa (art. 333, caput e parágrafo único c/c art. 29 do Código Penal. No discurso, entretanto,garantiu que tem a solução dos problemas do futebol do Amazonas a partir desse 2015, e atribuiu as falhas no futebol à falta de estádios, tão somente. Contudo, não vamos nos ater à figura polêmica do presidente da FAF e nem atribuir a ele, todas as falhas do futebol amazonense.
Para o diretor de futebol do Futebol Clube São Raimundo, Josildo de Oliveira, todos são culpados pelo fracasso. Imprensa que divulga só os times de fora, a população que torce por times que não são do Amazonas, a prefeitura e o governo que não abrem os estádios para jogos locais e a falta de incentivos para o futebol vindo das empresas privadas. De acordo com Josildo, os principais times do Amazonas sobrevivem de R$ 200 Mil/mês dado pelo governo. Esse dinheiro é dividido por 06 meses de competição. R$ 40 Mil/mês, para pagar transportes, alimentação, médicos, campo para treinos e jogos. “Com essa mixaria não dá para manter o time em nenhuma competição”, aponta.
Assim como Josildo, o sindicalista Vicente Filizzola, presidente da Força Sindical acha que são os conchavos, as jogadas de bastidores, as manobras, que tornam o futebol viciado e inoperante aqui no Amazonas. “O presidente da FAF ganha R$ 22 Mil, um salário maior que o do governador”, acusa. Para ele, a eleição na FAF seria no máximo uma reeleição, assim como acontece com a eleição para presidente, governador, prefeito.
Apesar de tudo, o futebol do Amazonas tem história. Não vamos falar aqui do Parque Amazonense, dos tempos áureos do Rio Negro Clube, Fast, Nacional, mas da Federação Amazonense Universitária dos Desportos (FAUD). Para o seu ex-presidente, Perseverando Garcia Filho, o problema do futebol amazonense engloba vários fatores, que vai da má gestão na FAF aos problemas estruturais e conjunturais dos clubes.
Perseverando diz que os clubes não tem comprometimento com o futebol de massa, não trabalham a base e nem se preocupam com a origem do próprio clube. Os escassos recursos do clube seriam então, uma consequência da falta de uma séria gestão no futebol dos clubes. O Campeonato de Peladas (O Peladão) é um exemplo de que existe futebol e jogadores em potencial no Amazonas, mas o bom futebol apresentado acaba com o fim do campeonato. Não tem sequência, não tem aproveitamento dos jogadores e nem investimento em clubes comprometidos com a qualidade, com uma marca própria para o futebol do Estado.

 Peladeiros em campos de barro por toda a Manaus (foto: Lucas Amorelli)
Peladeiros em campos de barro por toda a Manaus (foto: Lucas Amorelli)

Público nos estádios existe. Basta ter futebol. Recentemente, vem se discutindo a possibilidade de reeditar o “Eu Quero a Nota”, dos anos 90, no governo Amazonino Mendes (PDT). Nessa época, os estádios ficavam lotados com torcedores trocando Notas Fiscais por ingressos para os jogos locais e nacionais. Posteriormente, o governo reembolsava os clubes proporcionalmente ao número de torcedores no estádio, no caso, o Vivaldo Lima (Vivaldão).
O problema é garantir que o dinheiro repassado aos clubes sejam de fato, aplicados no futebol e não em benefícios dos seus dirigentes. O Ministério Público já solicitou da Justiça a intervenção na FAF, mas até hoje não foi autorizada.

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