O Folclore de Tefé “Continuação” – Por Raimunda Gil Schaeken


Professora Raimunda Gil Schaeken
Professora Raimunda Gil Schaeken

Querido leitor e, em particular, os queridos amigos e amigas tefeenses. Tive o carinho de apresentar-lhes algo sobre o nosso folclore; volto a dizer-lhes que as informações completas, sobre a origem do Festival Folclórico de Tefé, assim como o histórico das principais danças, achei desnecessário, uma vez que todo esse assunto o amigo leitor poderá encontrar no livro: “TEFÉ E A CULTURA AMAZÕNICA”, do escritor tefeense e grande amigo Augusto Cabrolié. Leia-o com carinho e encontrará todos os mínimos detalhes do folclore tefeense.

No seu livro, à página 23, Augusto Cabrolié diz que todo o nosso folclore é originário da cultura indígena. A dança, a música e o teatro surgiram e se desenvolveram com a influência da Igreja Católica através dos padres e religiosas que aqui chegaram, vindos de outros centros mais desenvolvidos.

Concluo o assunto, com algumas curiosidades do nosso folclore, como também, deixo o meu apelo para que todos se unam e encontrem soluções junto às autoridades competentes para resgatar o animado FESTIVAL FOLCLÓRICO DE TEFÉ com as bonitas e alegres danças da cidade e do interior.

CURIOSIDADES

A apresentação da Ciranda e dos demais grupos folclóricos do município de Tefé tinham início a 12 de junho de cada ano, véspera do dia de Santo Antônio de Pádua e se prolongavam até dia 30 do mesmo mês, data em que se homenageava São Marçal.

Alguns grupos como a Ciranda, o Boi-Bumbá, a Caninha Verde e outros, no mês de julho programavam a realização de um evento extra, destinado ao congraçamento dos brincantes e seus familiares. Para esse evento, os componentes dos Grupos compareciam devidamente fantasiados e prontos pra a última apresentação a ser realizada, geralmente, ao final de uma das semanas do mês de julho de cada ano. No caso da Ciranda, realizava-se a matança do Carão, isto é, após uma caprichada apresentação de todas as suas partes, o Carão era sacrificado definitivamente, restando apenas a vara com a cabeça e o bico, que era guardada, carinhosamente, até o ano vindouro. A veste preta do Carão era queimada na hora da matança simbólica do pássaro.

A matança do Boi-Bumbá que, geralmente, durava dois dias (sábado e domingo), era comemorada com muito vinho, cerveja e cachaça, acompanhados de feijoada, buchada e churrasco.

Enquanto os vaqueiros não chegavam com o boi, já laçado, pronto para morrer, os brincantes cantavam toadas, que muitas vezes provocavam lágrimas nos brincantes e nas pessoas presentes àquele evento.

De acordo com o escritor e Prof. José Silvestre, três músicos merecem ser lembrados, pela competência no manejo de seus respectivos instrumentos de trabalho, a saber:

Adail Dino de Mesquita Braga, o arara. Homem dos sete instrumentos, visto que tocava, com perfeição o violão, o saxofone, a flauta e até o flautim;

Raimundo Bruno, excelente músico de violão, sempre pronto a cooperar, tocando de graça para os cordões que o convidavam a acompanhá-los;

Francisco Carlos de Nazaré, o Chico Nazaré, outro “expert” no manejo do pinho. Apesar de sua idade um tanto avançada, jamais se recusava a colaborar com os dirigentes dos grupos folclóricos que o procuravam para ajudá-los.

Desde a década de 60, também se destacam como músicos dos vários cordões folclóricos existentes em Tefé, os senhores: Waldemar Nascimento (Pincó), Joaquim da Veneranda, Osvaldo Gouvêa Martins, Danival Gonçalves, na cidade, e Manoel Vale, Carlos Gonçalves, Quodultdeus (Tade), Velho Castanha, Luis Coelho, Pedro Marinho e Wilson Ferreira da Gama, no interior.

Merecem ser lembrados pelo amor, dedicação e competência demonstrados na direção dos cordões sob suas responsabilidades, os senhores; Marcelino Nogueira, Ambrósio Ramos Corrêa, Sátiro, Domingos Franco de Amorim (Moreno), Aristonho, Themístocles, Odoniel Alencar, Raimundo Paiva, Sra, Neomésia Retto (Neném Retto), Irmã Adamir Bamberg, Professoras: Tereza Praia Tavares, Elizete Queiroz Sierra, Dulcina Santos, Olinda Freitas, Raimunda Alves Simão, Darcy Rodrigues de Oliveira e Maria Dirce Batalha Marinho, que durante muitos anos coordenou os festivais folclóricos na cidade; Professora  Raimunda Barros e senhores Felisberto Guimarães, Manoel Veiga (Alemão), Domiciano, Chiquito de Nogueira, Filomeno, Abel Santos, Joaquim Vale e meu saudoso tio Gaudêncio Gil, no interior.

E quem não lembra da participação ativa das escolas, nos festivais folclóricos da cidade? Foi iniciativa da Profa. Virgilina Façanha Mendes, que era Diretora da Unidade Educacional de Tefé para que houvesse mais vida, mais animação, mais participação, mais brilhantismo e mais atrações.

Cada escola se esmerava para apresentar a mais animada e inovada dança. Era grande a multidão que se concentrava na Praça Santa Teresa, para prestigiar, animar e aplaudir as danças.

Podia-se apreciar as animadas “Quadrilhas Mirins”, “Os Melindrosos”, “Cabras de Lampião”, “Os Filhos de Lampião e Maria Bonita”; os Bumbás, apresentando animadas toadas, o Índio, exibindo o Cacetinho e dança do Tipiti etc. As danças Portuguesa, Espanhola, Gaúcha, Africana e Afro-América exibiam coreografias e um colorido todo especial. Os cordões de pássaros na sua originalidade apresentavam sua história em forma de comédia e cantos com os personagens: pássaro, caçador, feiticeira, fada. Recordando a bravura dos nossos colonizadores portugueses, apresentavam a dança Portuguesa, o Imperial e a Caninha Verde.

É importante lembrar que, antes das escolas apresentarem as suas danças nos festivais, faziam uma animada festa na própria escola, com vendas de comidas típicas, forró, concurso de Rainha Caipira e, é claro, além de outras danças, era aguardada com ansiedade a dança da própria escola. O objetivo das festas era angariar recursos para comprar material de expediente, limpeza, complemento da merenda escolar ou móveis para a escola. Ninguém ficava de braços cruzados, esperando o dia em que a SEDUC atendesse alguma reivindicação.

RAIMUNDA GIL SCHAEKEN (Tefeense, professora aposentada, católica praticante, membro efetivo da Associação dos Escritores do Amazonas – ASSEAM e da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas – ALCEAR)

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