Perdão Jesus – Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

De acordo com a tradição cristã, o dia 25 de dezembro deve ser considerado a mais festiva de todas as datas. Afinal, foi nela que, há pouco mais de 2 mil anos, nasceu lá longe, numa singela manjedoura, nem mais nem menos do que o Filho de Deus. Em verdade, segundo a mesma tradição, o próprio Deus feito homem.

Ao longo de minha vida tenho feito intimamente reparos à crença de que o nascimento de Cristo seja motivo para comemorações, entre as quais a de se matar perus para enriquecer nossas ceias natalinas e trocar presentes. Sempre que penso no nascimento de Jesus, no começo de sua peregrinação pela terra, não me liberto da lembrança do que lhe aconteceu dali para diante e como seu desfecho foi tão dramático.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Consultor.

A meu juízo, o nascimento do menino nazareno marcou o início de uma das mais penosas existências de que a humanidade tem notícia. E, por mais que me empenhe em contrário, não consigo vislumbrar no princípio de uma história tão penosa, tão trágica, algo que possa ensejar qualquer motivo para festejos. Ao contrário penso. O acontecimento deveria ser lembrado com um silêncio geral, envergonhado, com um ato de contrição universal que pudesse traduzir ao menos em parte nossa reprovação aos crimes que nossos longínquos antepassados cometeram contra aquela sublime figura que legou à humanidade as mais sábias lições, os mais comoventes exemplos e as mais tocantes palavras de amor, de concórdia, de solidariedade, de fraternidade que conhecemos. Etc. É mais ou menos isso o que me ocorreu escrever para hoje, numa tentativa de esconder outros pensamentos e emoções que me assaltam a cada passagem do Natal.

E sobre o assunto vou ficando por aqui, embora veja que ainda me restam mais algumas linhas para preencher este espaço, o que me impõe este dilema: o que fazer dele? Pedir perdão a leitores que eventualmente discordem do que disse até aqui ou tentar encontrar e reproduzir um belo trecho de louvor natalino produzido por autor de muito engenho e formosa arte? Na dúvida, faço uma pausa constrangedora para mim. E o único questionamento que me ocorre no momento é este que me atormenta desde há muito: com quais intenções Deus criou os homens, sabendo de antemão que, depois, na tentativa de tirá-los do mau caminho, teria de enviar seu próprio filho à terra para ser tratado, morto e crucificado como foi?…

Perdão, Jesus. E feliz Natal.

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