Pesquisa odontológica pode promover melhoria na saúde bucal de pacientes

Estudo avalia pacientes de diabetes e com periodontite crônica.

Uma pesquisa científica realizada com apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) está avaliando alguns parâmetros imunológicos e microbiológicos no sangue e saliva de pacientes portadores de diabetes do tipo 2 e, também, com periodontite crônica.
O objetivo principal do estudo é mostrar que o tratamento odontológico periodontal não cirúrgico – raspagem e alisamento radicular- pode ser capaz de promover, além da melhoria do quadro de saúde bucal dos participantes, a melhoria das condições de saúde sistêmicas outrora prejudicadas pelo diabetes e intensificadas, também pela periodontite.

De acordo com a pesquisadora principal do estudo, Priscilla Naiff, a periodontite é uma doença infecciosa e inflamatória, que acomete os tecidos de proteção e suporte dos dentes (gengiva e osso alveolar) e pode levar à mutilação dentária.

“Os dentes vão perdendo o osso que os sustentam e, frequentemente, há presença de intensa inflamação gengival associada. Com o decorrer do tempo, os dentes vão amolecendo até que necessitem ser extraídos. A causa primária é a infecção bacteriana associada a outros fatores como aos hábitos de má higiene bucal e a imunidade do indivíduo”, diz Priscilla.

O estudo está identificando algumas bactérias causadoras de periodontite na saliva e biofilme dentário, além da frequência de células da imunidade (leucócitos) e suas principais citocinas produzidas durante e após os processos inflamatórios relacionados a estas doenças, na saliva e sangue.

Doutoranda em Ciências da Saúde, com ênfase em Periodontia, pela Universidade de Brasília (UnB), Priscilla diz que sabe-se que ambas as doenças possuem uma via de mão dupla e uma é capaz de interferir na outra, ou seja, o diabetes, caso o paciente esteja descompensado, é capaz de piorar os sinais e sintomas da periodontite e vice-versa.

Estudo avalia pacientes de diabetes e com periodontite crônica.

“Sabe-se que as doenças periodontais estão sendo bastante associadas a diversas doenças ou condições sistêmicas como aterosclerose, diabetes, doenças cardiovasculares e, até mesmo, ao parto prematuro”, explicou.

Priscila disse que no curso de odontologia da UnB, a orientadora dela coordena um projeto de extensão voltado ao atendimento de pacientes com diabetes e tem uma linha de pesquisa na pós-graduação com a mesma temática que esta. “E, como no meu mestrado, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), tive alguma experiência com experimentos voltados às áreas de Microbiologia e Imunologia associadas à Periodontia, acreditamos que será extremamente importante e válido inter-relacionarmos ambas as doenças e suas interferências mútuas, nos aspectos microbiológico e imunológico”, adirmou.

A pesquisadora disse ainda que vale frisar que além do sangue, estão sendo avaliados alguns parâmetros na saliva, para comparação e, quem sabe, no futuro poder avaliar alguns biomarcadores neste fluido cuja coleta é bem menos invasiva que o sangue..

O projeto faz parte da pesquisa de doutorado desenvolvido por Priscilla, no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB). Teve início em junho de 2015, com o início da seleção de voluntários triados na clínica de odontologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Pesquisa
O projeto foi dividido em duas fases: uma antes e outra após o tratamento periodontal. Na primeira fase foram coletados sangue, saliva e biofilme periodontal de todos os participantes e realizadas diversas técnicas biológicas (ensaios imuno ou microbiológicos). Atualmente, estamos concluindo a primeira fase do projeto e analisando o material proveniente desta primeira etapa, transversal.

“Esperamos que até o fim de 2017 já tenhamos obtido, analisado e publicado parte destes resultados. Por se tratar de um projeto amplo e complexo, a segunda fase já iniciou com o tratamento de parte dos participantes do projeto e será continuada pelos diferentes componentes da equipe de pesquisa, na qual me incluo. Após o tratamento de todos os participantes e alta periodontal, serão repetidos todos os ensaios biológicos realizados na primeira etapa nestes indivíduos e assim, a finalização da segunda etapa”, disse a pesquisadora.

Benefícios
Conforme a pesquisadora, Priscilla Naiff, o projeto beneficia, diretamente, todos os seus participantes, que passam por acompanhamento médico e odontológico, durante todo o período de vigência do estudo e, logo após a alta periodontal.

Indiretamente, ela conta que, o projeto pode ocasionar benefícios imensuráveis à comunidade científica e aos portadores dessas doenças, com a consolidação ou surgimento de novos conhecimentos na etipatologia e diagnóstico do diabetes e periodontite, dependendo dos resultados a serem obtidos.

“Esperamos que o tratamento periodontal promova benefícios à saúde dos participantes do estudo relacionadas ao equilíbrio das respostas imunes, por meio das alterações quantitativas de suas células ou citocinas nestes indivíduos, além do controle ou redução dos patógenos periodontais presentes na saliva e biofilme. Espera-se ainda que o tratamento periodontal nos pacientes promova a melhora nos parâmetros clínicos da periodontite crônica bem como nos sinais e sintomas relacionados ao diabetes, devolvendo maior qualidade de vida a estes pacientes”, informou.

Priscilla ressaltou ainda que o uso da saliva como amostra biológica e da técnica de citometria de fluxo utilizando a saliva é inovadora e está sendo aprimorada pelo grupo de pesquisa. Espera-se, futuramente, mediante os resultados a serem obtidos, que a saliva possa, sempre que possível, substituir o sangue como amostra biológica, tornando a coleta mais simples e menos invasiva.

Apoio Fapeam
“Neste projeto tivemos apoio tanto da Fapeam quanto da Fundação de Amparo à pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) para a sua condução. Este apoio este foi fundamental ao desenvolvimento do estudo, principalmente na execução das atividades laboratoriais relacionadas ao projeto, como a compra de reagentes, material de consumo e transporte (frete) de material disponibilizado por parceiros em outros Estados. Sem a parceria com estas fundações seria impossível a realização do estudo proposto. Tivemos também o apoio do CNPQ e do laboratório SABIN , que faz os exames bioquímicos dos participantes do estudo: hemograma, lipidograma, glicemia, hemoglobina glicada)”, diz Priscila.

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