Políticos e prostitutas (final) – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Para não ficar mais cansativo, encerro nesta semana a série de artigos que já deu panos para as mangas no cenário local e nacional.

Não poderia finalizar sem comentar a necessidade da reforma política e ainda que os políticos todos, sem distinção, ainda preconizam o financiamento público das respectivas campanhas. Da mesma forma, ninguém pode ser autorizado a votar em causa própria, ou em favor de causas em que tenha interesse direto ou indireto, imediata ou remotamente, como se tornou rotina nas casas legislativas.

Sem medidas saneadoras, o Congresso deixará de ser, em mais alguns anos, instrumento democrático de representação política para se transformar naquilo que está correndo o risco de se tornar: um vasto empreendimento comercial, utilizado para promover o enriquecimento dos que estão, cada vez com mais frequência, abastardando o processo e as práticas da política brasileira.

Não atentamos para o fato de que o Senado baixou ao ponto em que hoje se encontra, com acobertamento ao seu ex-presidente, mas os únicos responsáveis são aqueles que, conhecendo os precedentes hoje tornados públicos, sufragaram o seu nome, apostando na política do quanto pior, melhor. Inclusive os que, hoje, da própria tribuna, apelam por sua renúncia, encenando o papel de Madalena arrependida.

A eleição dos dois últimos presidentes da Câmara custou aos brasileiros, num país em que os servidores públicos mais modestos amargam há oito anos e meio o congelamento de seus salários, com uma perda de 75% de seu poder aquisitivo, um aumento dos benefícios dos deputados de mais de 300% no mesmo período.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

O país está mais enfermo política que economicamente e, sem reformas institucionais profundas, será um verdadeiro milagre manter acesa a chama da democracia.

De há muito lutamos por punições rigorosas para todos aqueles detentores de mandatos que, num determinado momento, trocam de partido como quem troca de camisa. Na verdade, não se tem notícia de uma única perda de mandato por esse motivo.

Aliás, estamos chegando às raias do absurdo do “partido” dos sem partido, como querem os filiados que abandonaram suas respectivas legendas. Os que assim pensam devem saber, talvez até melhor do que eu, que partido é parte inseparável da sociedade e que cresce sintonizado sob a égide dos mesmos horizontes ideológicos, de programas e objetivos comuns e, ainda, de linhas e posturas idênticas, remando para o mesmo norte.

Hoje se denomina de corporativismo a esse espírito de defesa grupal. As corporações eram instituições de ofício medievais. Mas a coisa é mais antiga e mais profunda do que isso. Os etnólogos a conheciam por tribalismo e os zoólogos por instinto grupal. Em nenhum grupo humano esse instinto é mais forte do que na manada política. A razão é simples. Zoologicamente eles pertencem à variedade animal dos predadores e, se nesse tipo de bicho não predominar o instinto grupal, sua sobrevivência estará ameaçada. É por isso que lobo não come lobo e os leões vivem em paz entre si. Piranha também não come piranha.

Salvo se uma delas for sangrada. Na política, o processo de criar bodes expiatórios é um sistema de preservar a tribo e o próprio bode. Mesmo depois de mortos eles voltam como heroicos ectoplasmas para retomar seu lugar no cocho.

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário e escreve ás quintas-feiras neste espaço.

 

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