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Por que advogados e médicos são chamados de “doutor”

Chamar médico e advogado de “dotô” é coisa do Brasil colonial, quando filhos de ricos iam estudar fora do país.
Redação
Escrito por Redação

O Manual de Redação da Presidência da República diz que somente deverá ser chamado de DOUTOR quem concluiu satisfatoriamente o curso acadêmico de doutorado. Portanto, que fique bem claro e evidente: DOUTOR não é um pronome de tratamento, é um título acadêmico.

Até hoje questiona-se o porquê de advogados, juízes, promotores e médicos serem assim chamados, mesmo sem terem doutorado?

A raiz etimológica da referida palavra está ligada à pessoa que ensina. Tanto no Brasil como em Portugal existe uma tradição de chamar os profissionais acima mencionados pelo título de “doutor”, ainda que os mesmos só tenham o título de Bacharel.

Chamar médico e advogado de “dotô” é coisa do Brasil colonial, quando filhos de ricos iam estudar fora do país.

A primeira universidade a empregar o título de DOUTOR foi a de Bolonha, na Itália, por volta do século XII d.C. No Brasil imperial, em agosto de 1827, foi promulgada uma lei que instituía dois cursos de Direito no Brasil: um em Olinda e o outro em São Paulo.

Ficou acertado que seria concedido o título de “doutor” a advogados que tivessem bacharelado, que atuassem na profissão e que comprovassem defesa de uma tese.

Nesse sentido, nas mais variadas situações do dia a dia, tornou-se incômodo perguntar se o advogado tinha ou não defendido uma tese e se era militante. Para melhor compreensão, imaginemos um cidadão graduado em Direito participando de uma reunião e um dos amigos, ao dirigir-se ao graduado, tivesse que perguntar se ele era militante e se tinha defendido uma tese, para ser chamado de “doutor”.

Este inconveniente fez com que a tradição passasse a chamar todo graduado em Direito de “doutor”, cujo tratamento ainda está presente nos dias atuais com bastante força.

Com relação a juízes, promotores e médicos?

Bem, se advogados já eram chamados de “doutor” sem o título acadêmico, que se diria de juízes e promotores, os quais, na visão popular, são autoridades maiores, mais do que os advogados? Pela lógica, na época, seria uma afronta não chamá-los de “doutor”. Da mesma forma a tradição popular sancionou o mesmo tratamento.

Quanto a médicos (que somente foram chamados de “doutor” no século XIX), a explicação pode estar na força etimológica da palavra associando-a ao ensino, ao magistério, que pressupõe uma função que exige notório conhecimento.

Como a função de médico – mesmo sem exercer o magistério -, era e é profissão que exige grande conhecimento, fica fácil entender o porquê de serem chamados de “doutor”: exatamente pela presunção do alto nível de conhecimento.

Assim, médicos são chamados de “doutor” graças ao significado etimológico da palavra, que se sobrepôs ao que deveria ser o correto.

Creio que está bem explicado.

*Garcia Neto é Professor e Jornalista – (Artigo publicado em 2012)

 

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