Prédios públicos e privados não tem AVCB, afirma AICONDO

“A falta de fiscalização cria uma sensação de impunidade e essa impunidade pode resultar em uma tragédia”, afirma Thiago Ramos/Foto: Reprodução

Na madrugada da última terça-feira (01), um edifício ocupado por ocupantes do “Movimento Sem Teto” e outros cidadãos de baixa renda desabou após um incêndio. A principal suspeita de como a tragédia ocorreu, de acordo com o Secretário Estadual da Segurança Pública, é de um acidente doméstico: fogo pode ter começado a partir de uma explosão de um botijão de gás ou uma panela de pressão. O erro não está somente na manutenção do prédio, mas sim com a sociedade achar que era porque os moradores estavam de forma irregular. Afinal, grande parte dos prédios na capital paulista está irregular em relação ao Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Para usar de exemplo, um local que deveria servir com alta segurança, os asilos: apenas 1 a cada 4 asilos de São Paulo possui Alvará de Vistoria do Corpo de Bombeiros, e 73,3% das unidades não são licenciadas pela Vigilância Sanitária. Além dos abrigos, pouquíssimos condomínios providenciam a vistoria, graças aos síndicos acreditarem que esta é recomendada apenas para prédios comerciais, o que não é verdade. Os bombeiros sabem que a maioria dos prédios são irregulares, porém, falta mão-de-obra suficiente para a fiscalização. “É comum conversarmos com síndicos e eles revelarem que não possuem o AVCB. Além disso, diversos prédios públicos também estão irregulares faz muito tempo. A falta de fiscalização cria uma sensação de impunidade e essa impunidade pode resultar em uma tragédia”, afirma Thiago Ramos, Presidente da Associação Interamericana de Condomínios (AICONDO).

“A falta de fiscalização cria uma sensação de impunidade e essa impunidade pode resultar em uma tragédia”, afirma Thiago Ramos/Foto: Reprodução

A maioria dos prédios irregulares não está por falta de equipamentos de combate a incêndio, mas sim, pelas instalações antigas que não são as mais seguras. “Muitos prédios antigos possuem equipamento de combate a incêndio, porém, de forma ineficaz. Diversos, por exemplo, estão com o extintor de incêndio vencido e o sistema de hidrante na parte interna da escada. Isso faz com que para se combater um incêndio, seja necessário manter a porta corta-fogo aberta, o que acaba por inutilizar esta barreira. O que mais mata em um incêndio é a fumaça. Se esta invadir a escada, fica difícil para os moradores evacuarem o edifício. Sem fiscalização, a ocorrência ou não de uma tragédia será apenas uma questão de tempo”, finaliza Ramos.

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