Queiroz é encontrado, mas pela imprensa

Fabrício Queiroz - Foto: Reprodução/Internet

Finalmente aconteceu: o ex-policial Fabrício Queiroz, acusado de comandar um esquema de “rachadinhas” no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), foi encontrado em São Paulo. Está vivo, mas definha, vítima de câncer. Repórteres de VEJA revelaram que Queiroz está sob tratamento no Hospital Albert Einstein, no Morumbi. Não há mandado de prisão para ele. O ex-policial foi convidado a prestar depoimento ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, mas, até agora, recusou. Sua ressurreição constrange os investigadores.

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a culpa não é da Polícia Federal. Quem investiga o esquema supostamente comandado por Flávio Bolsonaro e Queiroz são os promotores estaduais do Rio de Janeiro, com um grupo altamente especializado no combate à corrupção. (Afinal, o estado que nos deu Cabral, Cunha e Garotinho não deixa faltar material.) A Polícia Federal não tem jurisdição natural sobre o esquema. Pode ser convidada pelo Ministério Público para fazer parte formal da investigação, mas isso ainda não aconteceu.

E por que não? Talvez porque a Polícia Federal esteja perdendo credibilidade desde 2017, no governo Michel Temer (MDB), quando Fernando Segóvia foi nomeado para chefiar a PF. Durante o exercício do cargo, Segóvia foi acusado de proteger Temer e outros emedebistas da sanha de investigadores. Desde então, a organização se vê enfraquecida, também, por causa de cortes orçamentários.

Bolsonaro se aproveita da atual fraqueza da polícia para proteger os familiares. Já disse que é ele próprio, e não o ministro da Justiça, o responsável por nomear o chefe da Polícia Federal. Se o filho mais velho do presidente fosse suspeito de honestidade e altruísmo, a declaração seria banal. Hoje não é. O superintendente da PF no Rio de Janeiro teve sua demissão do cargo anunciada há tempos por Bolsonaro e ela se concretizou hoje. O imbróglio só permite uma certeza: Queiroz deve se preocupar mais com sua doença do que com qualquer investigação. Especialmente dos subordinados a Sergio Moro e Jair Bolsonaro.

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