Reflexões sobre o Ano Novo – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

A vida é mesmo assim: tudo flui e sempre, como o dia que vai escurecendo-se com a noite, que se perde ao amanhecer da alvorada do novo dia. Eis o tempo “de novo” … Existiria mesmo o novo dia, um novo tempo? O que nos traz a sensação do (re)começo, se não a correnteza da existência, e de que momentos foram vividos com angústia ou gostosamente – no mais ou menos das vezes? “O tempo tudo tira e tudo dá; tudo se transforma, nada se destrói…”, sentenciou Giordano Bruno.


O destino, essa coisa imponderável, que só pode ser entendida retrospectivamente, não passa de um oceano de presságios, descaminhos e sonhos pela vida afora, pois navegar é preciso… Indubitavelmente que o tempo, como uma dimensão física – segundo os cientistas naturalistas racionais – ou transcendente – vide os metafísicos e filósofos –, ocorre transmutando-se a si mesmo e a todos os seres animados e inanimados, como se fora ele, o Gênesis do grande Universo.

Seria o tempo-ser incomensurável, onipresente e onisciente, o próprio Deus?! O nascimento, a evolução e a morte de uma estrela – qualquer a sua grandeza – se dá através do tempo… E quanto aos homens… “Nunca existiram grandes homens enquanto vivos estivessem”. Um dia, num passado tão perto, um homem do seu tempo mas muito iluminado pelo conhecimento acumulado sobre os ombros de outros gênios, e pelo talento da sua inteligência criativa, articulou os princípios do espaço e da luz e matematicamente demonstrou que eles se inflexionam quando uma velocidade lhes era contraposta num tempo determinado: o universo se curvava em algum espaço futuro… Ou seria no passado? Albert Einstein acabara de “relativizar” a lei da inexorabilidade do devir, segundo o paradigma: tudo tem o seu tempo… de fruir.

E a direção é o futuro…? Revelara-se: o universo tem massa e energia, e se move, se expande… Além do tempo. Mas que tempo? Na efêmera condição humana, apreende-se desde a sua infância mais tenra e vulnerável que o tempo serve, primordialmente, para o crescimento do corpo físico, da aprendizagem do viver, da reprodução da espécie-família, para o envelhecimento e para a morte. Somente quando é chegado o tempo de amar o seu amor, o Homem então pode encontrar-se com a sua eternidade.

Aquele ser humano que vivenciou uma existência amorosa, alcançou a plenitude nos seus momentos… Felizes foram aqueles que provaram do sabor do amor. Que o Ano Novo cumpra esta profecia, ontologicamente, para todos os mortais. E que nosso país tão atrasado como o próprio mandatário, consiga vacinar os seres humanos que conseguiram escapar dessa pandemia. Assim seja.

 

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