Rodoviários não aceitam 1% de reajuste e a greve continua, diz presidente

Givancir de Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviarios

Os trabalhadores dos transportes coletivos de Manaus continuam em greve, com 50% da frota fora de circulação até que os empresários recuem da proposta de 1% de aumento nos salários da categoria. A afirmativa foi do presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir de Oliveira, em coletiva à imprensa, na sede do sindicato, nessa manhã de 29 de maio.

Para o presidente, enquanto o prefeito Arthur Neto (PSDB) ficar passível nas negociações entre empresários e trabalhadores, o risco da greve continua. Arthur tem se omitido nas negociações e, não se sabe porque o prefeito está se “escondendo” atrás da crise que se implantou no sistema de transportes públicos da cidade.

Para o sindicalista, também é hora de os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), chamar uma CPI para investigar se realmente o sistema está quebrado, falido ou se os empresários estão dando outro destino para o lucro das empresas.

Givancir de Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviarios/Foto: Correio da Amazônia

“Com uma CPI, certamente terá empresário preso, a exemplo do Rio de Janeiro, onde foram presos alguns empresários do sistema de transporte público”, destaca Givancir. Mas, contudo, é preciso que o prefeito encontre disposição para resolver o problema. “Se ele não entrar na questão, os problemas vão continuar”, explica o presidente dos trabalhadores.

Facilidade das liminares

Givancir abriu outro questionamento em relação à facilidade com que os empresários conseguem liminar na justiça, proibindo a greve e estabelecendo multas astronômicas ao Sindicato em caso de descumprimento da decisão judicial. “No Brasil, os caminhoneiros tiveram liminar contra a greve estabelecendo R$ 100 Mil de multa dia. Em Manaus, o TRT impôs uma multa de R$ 50 Mil dia. A diferença é gritante”. Aponta.

Mas ao mesmo tempo, o TRT não agiliza o julgamento do dissídio, 2016/2017 e 2018/2019, que está atrasado há dois anos. “O dia que a justiça der uma multa para os empresários, mandar prender empresário, resolve o problema dos transportes em Manaus”, assinalou, acrescentando que o judiciário só quer punir os trabalhadores, os mais fracos.

Para Givancir, ninguém brinca de fazer greve. O trabalhador não teria essa coragem de enfrentar o patrão só por brincadeira, que hoje se ampara na justiça para empurrar as negociações salariais e benefícios para a vala comum do esquecimento.

De acordo com o presidente, os empresários falam na frente dos juízes do TRT, que não recolhem o FGTS, o INSS e eles não tomam nenhuma medida punitiva, mas se o trabalhador exige os seus direitos, a punição é imediata. Mas se o Sindicato sinalizar que aceita os 1% de reajuste dado pelo empresário, a justiça retira as multas, os processos. “É hora de a OAB, começar a questionar essas facilidades”, finalisa.

Nova liminar

No fechamento dessa nota, uma oficial de justiça do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) bateu às portas do Sindicato, com uma nova liminar determinando multa de R$ 200 Mil por hora parada do sistema de transportes urbano de Manaus. Somados as 24 horas do dia, esse valor chega a (4 Milhões e 800 Mil/dia).  Isso é mais que o dobro do que a Justiça do Brasil está multando os Sindicatos e Federações dos caminheiros de todo o País.

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