Sentimento nobre – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Caros leitores e leitoras, de vez em quando escrevo sobre a gratidão, aliás acho que esse é o quarto artigo sobre o tema, mas com conotações diferentes e sempre porque me sinto vitima da ingratidão, mas confesso que coloquei o perdão como uma maneira de viver, um jeito de me colocar existencialmente no mundo. Quantos seres humanos dentro de minhas possibilidades eu ajudei, e algumas dessas pessoas, absorveram o momento, usaram o status quo. A gratidão é um dos sentimentos mais nobres que o ser humano pode ter. É algo superior, que demonstra o grau de desenvolvimento espiritual de uma pessoa.

Segundo o Aurélio, gratidão é o reconhecimento pelo bem recebido, é ser grato pelos benefícios que outros fizeram por si. Penso que gratidão se encaixa em todos parâmetros da vida de uma pessoa, seja no trabalho, na sua vida particular, com amigos e entre os homens públicos, também, porque não? O ser grato, antes de tudo, demonstra humildade.

Reconhecer enaltece, enobrece, torna a pessoa mais humana e a faz ver o quanto não é infalível. A gratidão faz também com que muitos desçam do pedestal em que se colocam, por se acharem autossuficientes e donos de si e das situações, que aparecem. Quanta arrogância! O mundo, como está, não precisa de pessoas que colocam esse sentimento no rol daqueles que demonstram fraqueza, dependência, ou quem sabe, a subserviência. Ledo engano. A gratidão está acima de todos esses sentimentos pouco recomendáveis. Do engano e do erro, o mundo está cheio.

Quanto um filho é grato aos pais pela vida? Quantos têm gratidão ao benfeitor que aparece sempre nas horas mais difíceis? Eu mesmo não sou daqueles que engrosso o coro dos que acham que depois de ter recebido o benefício, não interessa quem foi o benfeitor, que isso é apenas um detalhe. Penso que o mundo seria muito melhor se as pessoas abrissem o coração e falassem o que realmente estão sentindo.

Às vezes fico pensando o que move pessoas que acham que precisam passar por cima de tudo e de todos para chegarem aos seus intentos. Penso: Como fica a consciência de uma pessoa que um dia fala e escreve uma coisa e noutro apaga tudo, como se fosse algo inoportuno que foi dito e escrito num momento de fraqueza. Essas pessoas que assim procedem são exatamente aquelas que agem sem sentimento, às vezes vão até contra a racionalidade.

Para elas só interessa o fim, não importando os meios. São pessoas que vivem sem poder deitar a cabeça no travesseiro tranquilamente, são pessoas que não conseguem olhar os filhos, sem ter vergonha do que fizeram ou fazem. Vendem a alma ao diabo para chegarem aos seus intentos. São seres tristes e que destilam somente a ânsia do poder, do ter, mesmo que seja através do ódio.

A gratidão, está no mais alto patamar da existência, está acima de todas essas mesquinharias, desses jogos de poder, das trapaças, da traição e de todas essas falsidades, movidas pela pequenez dos que acabam a vida, sem amigos, sem parceiros, só tendo como companheiro o egoísmo que o acompanhou durante toda a vida.

Encerro o presente com uma frase de Esopo: “A gratidão é a virtude das almas nobres”.

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