Sob fritura: Moro procura ‘saída honrosa’ para pedir a sua demissão

Segundo a revista Época, o ministro Sergio Moro estaria decidido a deixar o governo "se uma canetada de Bolsonaro tirar Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal - foto: banco de dados do Google

A frigideira de Jair Bolsonaro que tosta o ministro da Justiça, Sergio Moro, parece estar cada vez mais quente. De acordo com reportagem da Época, Moro reclama que não tem interlocutores com Bolsonaro e que a relação é “protocolar”.

Enquanto que publicamente Bolsonaro e Moro tentam fazer gestos que reforcem a ideia de uma relação harmoniosa, como fez no desfile de 7 de setembro, nos bastidores a relação é fria e difícil.

Diz a Época que “Moro está exaurido” e que “segundo pessoas de sua confiança, decidido: se uma canetada de Bolsonaro tirar Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal (PF) e não colocar em seu lugar alguém da confiança de Moro, o ministro deixará o governo”.

Em agosto, porém, Bolsonaro não escondeu que iria intervir na Polícia Federal e ameaçou demitir o diretor-geral Maurício Valeixo, que foi indicado por Moro.

“Se eu trocar hoje, qual o problema? Se eu trocar hoje, qual o problema? Está na lei. Eu que indico, e não o Sérgio Moro [ministro da Justiça]. E ponto final. Qual o problema se eu trocar hoje ele? Me responda”, disse Bolsonaro.

Policiais próximos de Moro aconselharam o ex-juiz e defenderam que ele deveria reagir rápido – para poder sair do governo com pelo menos “algum crédito”.

Mas Moro não deu demonstrações de reação. Pelo contrário, disse em entrevista à Globonews que não mandava na PF. “Não, não sou o chefe da Polícia Federal de forma nenhuma. A única pessoa que eu indiquei foi o diretor da Polícia Federal”, disse ele, admitindo que Valeixo poderia deixar a PF. “Veja, como eu tenho as várias funções aqui do Ministério da Justiça, as coisas eventualmente podem mudar, mas ele está no cargo, permanece no cargo, tem a minha confiança”.

Em outras ocasiões, Bolsonaro deixou claro que não se importa com as críticas que chamou de “babaquice” dos policiais que se opõem a isso. O objetivo de Bolsonaro é blindar seu clã.

Segundo fontes, Moro “sente-se especialmente desconfortável com o linguajar de Bolsonaro sobre uma série de assuntos”, e só atura Bolsonaro para manter a aparência harmoniosa em nome da agenda política.

A Época afirma que Bolsonaro está desconfortável com a presença de Moro desde 26 de maio, quando grupos da extrema-direita convocaram atos em apoio ao governo. O boneco inflável do Super-Moro, em Brasília, teria deixado Bolsonaro ainda mais incomodado.

Depois disso, pesquisas apontaram ainda que Bolsonaro teve queda da sua popularidade, enquanto Moro se mantinha como o nome mais forte de seu governo – até mais do que o presidente.

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