Terrorismo ambiental – por Osíris Silva

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação

O jornalista J.R. Guzzo afirmou, em sua página no Facebook não existir “agrotóxico”, nem “veneno na comida”. Existem, na verdade, “fertilizantes, inseticidas para combater pragas e produtos para melhorar a qualidade da agricultura”. Produtos esses usados no mundo inteiro, ele adiante.

Guzzo adianta: no Brasil “são armas da “esquerda” para tentar sabotar o sucesso do capitalismo no campo”. Terreno onde o socialismo falhou e falha redondamente ao longo da história.

Efetivamente, ONGs e inocentes úteis, ignorantes sobre a questão (daquele tipo que ouviu o galo cantar sem saber onde) vem massificando informações de que o Brasil é o maior consumidor de defensivo agrícola do mundo.

Ilusão criminosa espalhada internacionalmente por omitir um dado fundamental: a divisão do número absoluto de consumo por área cultivada. Como resultado de simples conta aritmética, segundo o Ministério da Agricultura, demonstra-se que o consumo brasileiro de agrotóxicos por hectare cultivado ocupa apenas a 44ª posição. Em sentido inverso, o Japão (o Japão, que tem um dos índices de desenvolvimento humano e social mais elevado do Planeta) assume a primeira posição no ranking mundial de consumo de agrotóxico.

Deve-se observar, por outro lado, que o Brasil é um dos três maiores produtores mundiais de alimentos ao lado dos Estados Unidos e China. O uso de agrotóxicos no país, de clima predominantemente tropical, mais propício a pragas, com efeito, além de ultra controlado pelas autoridades sanitárias, é bastante comedido. Todo produtor agrícola tem consciência disso.

Estudos do Ministério da Agricultura (MAPA) observam que, no cálculo da quantidade de agrotóxicos por hectare não são consideradas as áreas de pasto. Com efeito, o Ministério trabalha com todas as comparações, mas esse critério também é usado pela FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. A considerar esse critério, aponta o MAPA, o país iria para as últimas posições porque a quantidade por área seria muito menor.

Outro dado relevante: de acordo com estudos do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Caio Carbonari, a dose de agrotóxicos usada por hectare de produção agrícola no Brasil caiu 88% a partir do início da década de 1970.Segundo Carbonari, desde os anos 2000 o Brasil usa apenas 12% da dose de pesticidas que usava no início da década de 70. Portanto, conclui, “os produtos estão evoluindo em termos de segurança humana, tornando-se, desta forma, mais específicos e eficientes”. Em consequência, reduzem-se suas dosagens.

MANIPULAÇÃO POLÍTICA

Como se pode depreender sem muita dificuldade, a questão é, basicamente, política, explorada por ONGs poderosas instaladas sobretudo na Europa, que essencialmente manipulam dados à conveniência própria. Como afirmou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esta manhã: claramente o objetivo dessas esdrúxulas organizações é fazer terrorismo ambiental, e, assim, sensibilizar governos e empresas multinacionais a elevarem o repasse de apoios financeiros cada vez mais volumosos. Por meio de cujas fontes engordam suas contas bancárias e alimentam exércitos de parasitas encarregados do trabalho sujo de criar constrangimentos e sufocar países em desenvolvimento.

Não se tem notícias de ONGs operando com tanta presteza e destaque internacional na Alemanha, França, Rússia, Itália, Espanha, em Portugal. Que ONGs têm bases tão agressivas na China, Canadá, Suécia, Noruega, Holanda, na Coreia do Sul, no Chile, na Colômbia, no Mexico?

A verdade nua e crua é esta. Toda produção de alimentos demanda uso de fertilizantes e defensivos agrícolas. Não há outra maneira de atender ao consumo mundial cada vez mais crescente. A produção orgânica seria ideal; jamais, contudo, poderá alcançar os níveis de produtividade da produção extensiva. O mais grave ainda: a ONU estima uma população para o Planeta de 9 a 10 bilhões de habitantes em 2050.

Tais contingentes populacionais exercem e exercerão cada vez mais pressão sobre o crescimento mundial da demanda de comida, o feijão com arroz e bife de cada dia que precisa estar na mesa do ser humano aqui, ali e em qualquer lugar. Em números absolutos ou relativos, estes medidos pelo incremento da produtividade no campo.

ILPF

A Embrapa desenvolveu no Brasil sistemas denominados Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), que permitem a produção integrada de grãos, fibras, madeira, energia, leite ou carne na mesma área, em plantios em rotação, consorciação e/ou sucessão. O sistema funciona basicamente com o plantio, durante o verão, de culturas agrícolas anuais (arroz, feijão, milho, soja ou sorgo) e de árvores, associado a espécies forrageiras (braquiária ou panicum).

Há várias possibilidades de combinação entre os componentes agrícola, pecuário e florestal, considerando espaço e tempo disponível, resultando em diferentes sistemas integrados, como lavoura-pecuária-floresta (ILPF), lavoura-pecuária (ILP), silvipastoril (SSP) ou agroflorestais (SAF).

Com efeito, o avanço das tecnologias de produção ao mesmo tempo que garante a expansão da oferta mundial de alimentos, potencializa as necessidades de proteção do ser humana no tocante à integridade de suas necessidades alimentares.

Sobre esses avanços, porém, as ONGs não se interessam. Por uma simples razão: não lhes proporcionam retornos financeiros nem prestígio junto à comunidade ambientalista internacional.

Tudo, enfim, uma questão de business!

Manaus, 8 de agosto de 2019.

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