Tudo que você precisa saber sobre a 10ª edição da Libertadores Feminina

Copa Libertadores da América de Futebol Feminino - Foto: Divulgação

Do dia 18 de novembro a 02 de dezembro acontece a Copa Libertadores da América de Futebol Feminino. Essa será a 10ª edição do torneio, que será sediado em Manaus. Apenas três edições foram realizadas fora do Brasil (Colômbia – 2015, Uruguai – 2016 e Paraguai – 2017) e os times mais vitoriosos são os brasileiros: Santos foi o primeiro campeão, em 2009 e venceu também em 2010, São José é o maior campeão, tendo vencido em 2011, 2013 e 2014. Em 2015, o título foi para a Ferroviária e em 2017, para o Corinthians Audax. Os dois anos que não tiveram brasileiros campeões foram 2012, com o Colo-Colo e em 2016, que quem ficou com o título foi o paraguaio Sportivo Limpeño. De todas as nove edições, 2016 foi o único ano em que a final ficou sem um time brasileiro.

Exceto o Brasil, que conta com três times no torneio, todos os outros times dos países sul-americanos têm apenas um representante e os grupos foram definidos na última quarta-feira (7) em sorteio realizado na Arena da Amazônia, com um brasileiro em cada grupo, divididos entre A, B e C. Os confrontos da primeira fase são feitos dentro de cada grupo. Para as semifinais, se classificam o líder de cada um dos grupos e, o quarto time é o segundo melhor colocado entre os grupos.

Também já estão definidos os horários dos confrontos. A primeira partida será na Arena Amazônia, no domingo (18) às 20h (Horário de Brasília) e começa com o grupo C, em jogo entre UAI-Urquiza e Cerro Porteño.

Conheça os times participantes dessa edição:

Audax é o brasileiro do grupo A. – Foto: Reprodução/ESPN

O grupo é composto pelo brasileiro Audax, que no ano passado, foi campeão da Libertadores como Corinthians Audax após vencer o Colo-Colo nos pênaltis por 5 a 4 na final e finalizou a competição com uma campanha invicta. Junto com ele, vem o Union Española de Guayaquil, atual campeão equatoriano, Deportivo Huila, campeão colombiano e Peñarol, campeão uruguaio.

O jogo de estreia desse grupo acontece na segunda-feira (19), às 20h, no Estádio da Colina, entre Audax e Union Española.

Audax

As atuais campeãs invictas da Libertadores chegam para disputar apenas pela segunda vez a competição internacional mais importante do futebol feminino com uma nova parceria. A equipe que já esteve ao lado de Corinthians e Ponte Preta, hoje é situada na cidade de Valinhos, interior de São Paulo.

A ex-jogadora Ana Lúcia Gonçalves será a comandante do grupo que têm como reforços para a temporada as venezuelanas Paola Vilamizar e Claudia Soto, destaques do campeonato amazonense. Kerolin Nicoli, destaque do ano passado na Ponte e uma das esperanças da seleção brasileira sub-20, continua para esta disputa. O Audax estreia no próximo dia 19, em Manaus, contra o Unión Española do Chile.

Union Espanõla de Guayaquil

O Uníon Española de Guayaquil se mantém por conta da federação de futebol do país, que financiou o clube com US$35 mil, porém, o futebol feminino no Equador é amador e, sendo assim, além de treinar, as atletas estudam e trabalham por não poderem contar com ajuda financeira da modalidade. As jogadoras não têm contrato de trabalho e são permitidas a jogarem outras ligas para sobreviver.

Neste ano, o time não conseguiu patrocinadores e embora tenha finalizado a temporada com esforço máximo e apoio de amigos, acabou com uma dívida US$6 mil. Em Guayaquil, o time conta com respaldo da Federação Esportiva de Guayas, que tem ajudado com a infraestrutura e comissão técnica, sendo assim, quem paga a comissão não é o clube e sim, a federação.

O time teve sua primeira participação na Libertadores em 2016 após ter vencido o campeonato equatoriano de 2015 pela primeira vez na história, mas foi eliminado ainda na fase de grupos e sem ter vencido nenhum jogo.

Novamente campeão equatoriano em 2016, foi eliminado do torneio no ano passado também na fase de grupos, mas com um desempenho melhor, terminando em segundo lugar do Grupo A. Com o tricampeonato equatoriano, o Union Española parte para a terceira disputa do torneio intercontinental. O Unión Española estreia no próximo dia 19, em Manaus, contra o Audax.

Atletico Huila*

Fundado em 2016, o time foi vice-campeão da Liga Profissional Feminina da Colômbia em seu ano de estreia, com uma campanha brilhante. Classificou-se a essa edição da Libertadores ao conquistar o Campeonato Colombiano de 2018. O time estreia contra o Peñarol, no dia 19 de novembro (segunda-feira), às 22h30.

*Até o fechamento do guia, a equipe espnW não conseguiu coletar mais nenhuma informação sobre o time colombiano.

Peñarol

Pela primeira vez o Peñarol vai participar da Copa Libertadores. No ano passado, o time venceu o primeiro Campeonato do Uruguai da história, ao quebrar a hegemonia do Cólon FC, vencedor das quatro últimas edições, além de ter fechado 2017 como líder da Tabela Anual. No dia 09 de dezembro, a final do ano anterior se repetirá no Uruguai e o Peñarol vai em busca do bicampeonato.

Um destaque do time uruguaio é a base, que em 2017 colecionou conquistas: o sub-14 foi campeão da Associação Uruguaia de Futebol Infantil (AUFI), o sub-16 foi terceiro lugar da Copa de Oro e o sub-19, campeãs da Copa Oro.

As jogadoras do Penãrol não vivem exclusivamente do futebol porque não recebem para jogar. A atacante Lourdes Viana é um exemplo de quem não tira a renda da modalidade. Em entrevista a espnW, a camisa 10 entra às 7h da manhã no trabalho e sai às 17h, indo direto para o treino. Além disso, ela também joga futsal pelo clube.

O Peñarol entra em campo no dia 19 de novembro (segunda-feira), às 22h30 contra o Atletico Huila.

O brasileiro do grupo B é o bicampeão Santos. – Foto: Reprodução/ESPN

O grupo B é composto pelo Santos, bicampeão da Libertadores das duas primeiras edições. Com as Sereias da Vila, time favorito ao título, tem o campeão chileno Colo-Colo, o campeão peruano Sport Girls e o campeão boliviano Deportivo ITA.

O primeiro jogo do grupo acontece terça-feira (20), às 20h, no Estádio da Colina, entre Colo-Colo e Santos.

Santos

As Sereias da Vila já deixaram sua marca na história da Libertadores. Em 2009, primeira edição do torneio, elas sagraram-se as primeiras campeãs ao vencer o clube paraguaio Universidad Autónoma, numa goleada de 9 a 0. Na época, o elenco era composto por craques como Marta, Érika, Maurine e Cristiane, que foi artilheira da competição marcando 15 gols. Além do título, o Santos finalizou a competição com o melhor ataque e defesa menos vazada.

No ano seguinte, elas conquistaram o bicampeonato em cima do Everton, do Chile, com um placar mais magro e um gol de Maurine, marcado no último minuto de jogo. A defesa foi ainda melhor em 2010, não tendo levado nenhum gol, mas balançando a rede adversária 22 vezes. Em 2011, embora o time tenha sido dono do melhor ataque e melhor defesa, foi derrotado na semifinal pelo São José, por 2 a 1 e terminou em terceiro lugar ao vencer o Caracas da Venezuela.

Durante os anos de 2012 e 2015, as Sereias permaneceram sem time. Na ocasião, muito se cogitou que o corte de gastos seria por conta do alto investimento feito a Neymar, que veio a público pedir ajuda aos patrocinadores e a outros jogadores. 2016 marcou a volta das Sereias que, a partir de 2017, tornou-se um dos times mais vitoriosos do Brasil.

As jogadoras do Santos vivem hoje exclusivamente para o futebol. O Peixe é sem dúvidas um dos times que mais valoriza o futebol feminino na atualidade, mas para Alessandro Rodrigues, diretor executivo do clube, ainda faltam alguns ajustes para que a modalidade seja ainda mais valorizada: “A Libertadores já mudou de data, em seguida mudou a data do sorteio. Essas coisas atrapalham um pouco a visibilidade do torneio, mas queremos que quando a competição começar, as pessoas saibam que está acontecendo. Vamos disputar numa sede que tem uma certa tradição no futebol feminino, os jogos serão na Arena, que foi usada na Copa do Mundo. Vamos do local ao global para conseguirmos divulgar” – disse.

O elenco feminino utiliza-se da mesma estrutura do masculino para treinar, inclusive nas categorias de base. “É evidente que existe uma disparidade salarial, pela realidade econômica de cada uma das modalidades. Mas as atletas do Santos são todas profissionais e todas elas têm dedicação exclusiva, treinam em dois períodos e vivem para isso” – finalizou Alessandro.

As Sereias da Vila entram em campo na terça-feira (20) às 20h contra o Colo-Colo.

Colo-Colo

O Colo-Colo é um dos times mais tradicionais da América do Sul. Apesar de existir desde 1925, o time feminino foi fundado somente em 2007. Apesar do pouco tempo de existência, o clube é hegemônico nas conquistas de títulos: tem 13 no Chile, uma Libertadores e duas Copas Chilenas.

A equipe comandada por Carlos Veliz, que conversou com o espnW, é uma das favoritas para o torneio, mas o comandante ressalta a força dos clubes brasileiros e destaca o histórico do Santos.

A Libertadores é ‘a ilusão mais linda’ que o Colo-Colo sonha, como contou Carlos em entrevista. O clube se preparou o ano inteiro para a competição: primeiro jogaram a liga local e fizeram alguns amistosos, sendo alguns contra homens para testar as atletas e ver o nível do time para o torneio continental.

Um problema que o futebol chileno feminino encara é que não é tratado como ‘profissional’, então as jogadoras não recebem para jogar – mas o Colo-Colo faz diferente: ‘’Não é profissional, não temos contrato profissional, mas o clube abre exceção e paga suas jogadoras. Então é um assunto para a Federação, mas o Colo-Colo continua pagando suas atletas para termos as melhores no clube’’, conta Carlos.

O Colo-Colo feminino na última temporada decidiu a final contra o Corinthians e acabou sendo derrotado. O treinador, que comanda a equipe há três anos, valorizou os clubes brasileiros e a dificuldade que é enfrentá-los: ‘’Estamos tentando nos preparar da melhor forma possível para ganhar, conhecemos muito bem do que se trata o futebol brasileiro’’.

O Colo-Colo enfrenta logo de cara as favoritas do torneio, na terça-feira (20) às 20h.

JC Sport Girls

O JC Sport Girls, tradicional time feminino peruano, sediado em Lima, teve sua fundação há 15 anos, em setembro de 2003. Além da equipe principal, o time conta com uma base forte, sendo ela Sub-10, Sub-12, Sub-14 e a categoria juvenil. A assessoria do JC Sport Girls explicou ao espnW que o torneio feminino do Peru acontece em diferentes estádios, de acordo com as equipes que se enfrentam.

Pode parecer óbvio, mas quem tem estádio, joga em casa. Quem não tem, “adota” um município para sediar as suas partidas. Sendo assim, o JC Sport Girls não conta com um local própria para mandar os seus confrontos e, assim, usa o Município de San Borja como sua “casa”. O time estreia na terça-feira (20), às 22h30 contra o Deportivo ITA.

Deportivo ITA

Em 2003, graças ao apoio de voluntários com a vontade de desenvolver o esporte amador, em especial o futebol feminino, o Deportivo Ita era fundado inicialmente como clube de atletismo “Club Enforma Santa Cruz”. Em 15 anos de existência, o clube acumula 20 títulos.

Metade do elenco é profissional, 30% em fase escolar e 20% das jogadoras são universitárias. A principal jogadora da equipe, Maite Zamorano, é recordista nacional nos 60 metros rasos e a melhor jogadora da Bolívia. Em 2013 e 2017 foi artilheira do maior campeonato da América.

Durante a campanha no campeonato Boliviano, as jogadoras atuaram em cidades com mais de 3.700 metros acima do nível do mar, e levaram, pelo segundo ano consecutivo, o título do campeonato. Com pouco mais de um mês para se prepararem para a Copa Libertadores, Sandra Antelo, presidente do clube, aposta na qualidade e experiência do elenco. O primeiro desafio do time boliviano é contra o Sport Girls, na terça-feira (20) às 22h30.

Iranduba é o brasileiro do grupo C. – Foto: Reprodução/ESPN

Representando a cidade-sede do torneio, o tradicional Iranduba é o brasileiro presente no grupo C. Ao lado dele, o campeão argentino UAI-Urquiza, o campeão paraguaio Cerro Porteño e o campeão venezuelano Flor de Patria completam a chave. O primeiro jogo do grupo e também da Libertadores será no domingo (18), na Arena Amazônia às 20h, entre UAI-Urquiza e Cerro Porteño. Em seguida, às 22h30, se enfrentam Flor de Patria e Iranduba.

Iranduba

É pouco comum um clube ser mais conhecido por sua equipe feminina do que pela masculina. Mas é assim que funciona no Iranduba, clube da cidade-sede da Libertadores deste ano, de Manaus.

O Iranduba é reconhecido pelo trabalho que faz de desenvolvimento de meninas no futebol e pelo profissionalismo na área. Em entrevista com o técnico da equipe – que também treina o masculino – Igor Cearense, ele contou sobre a organização e tratamento do clube com as atletas e profissionais envolvidos: ”Todas tem carteira assinada, comissão técnica, jogadoras, técnico, funcionários”. Parece surreal, mas muitas mulheres que jogam como profissão, não recebem salário ou qualquer auxílio dos clubes.

Para a Libertadores, o Iranduba trouxe alguns reforços importantes: Camilinha (do Orlando Pride, nos EUA e seleção brasileira) e Andressinha, também da Seleção. E uma das maiores dificuldades foi selecionar as 20 atletas a serem inscritas no torneio: o elenco, como conta o treinador Igor, tem 35 atletas.

”A gente conquistou o Estadual recentemente e esse time joga junto há muito tempo, há três ou quatro anos. Estamos no nosso melhor momento para a melhor competição. Acredito que essas meninas estão prontas”, conta Igor que e prega ‘muito respeito’ da equipe com suas atletas e com as adversárias.

Esta é a primeira vez que o Iranduba participa da Libertadores e busca o título do primeiro torneio fora da Amazônia. O primeiro compromisso do amazonense é no primeiro dia de competição. Domingo (18) às 22h30 contra o Flor de Patria.

Uai-Urquiza

Em 2009, o Club Ferrocarril Urquiza (fundado em 1950) e a Universidad Abierta Interamericana se fundiram para criar a equipe feminina de futebol do UAI Urquiza, dando início a uma história vencedora na Argentina.

Em 9 anos foram quatro conquistas do campeonato nacional e uma terceira colocação na Libertadores de 2015, realizada em Medellín, na Colômbia. Disputar a competição internacional tem sido uma vitrine exponencialmente importante para o clube dentro e for a do país ao lado do recente crescimento da seleção argentina – sete jogadoras fizeram parte da última convocação com destaque para a atacante Belén Potassa, de 29 anos, que tem as disputas da Copa do Mundo de 2007 e dos Jogos Olímpicos de 2008 no currículo e Mariana Larroquete, que anotou 45 gols em 29 oportunidades pelo campeonato nacional.

Brasil é o único país que terá três representantes na Libertadores feminina. Reprodução/ESPN

Assim como nos outros países da América Latina, na Argentina as mulheres não conseguem se sustentar exclusivamente do futebol, precisando conciliar trabalhos e estudos com a carreira de atletas amadoras, mas graças a um licenciamento feito pela Conmebol, em 2016, outros clubes como Lanús, Banfield e Racing também criaram equipes femininas dando ainda mais relevância ao campeonato nacional.

O time argentino tem a responsabilidade de levar para o país o primeiro título da Libertadores feminina, tendo em consideração que o masculino é o maior vencedor do torneio sul-americano. As jogadoras entram em campo no primeiro dia e farão o primeiro jogo, domingo (18), às 20h contra o Cerro Porteño.

Cerro Porteño

O Cerro Porteño chega para disputar sua sexta Libertadores como campeão invicto do campeonato paraguaio e com uma comissão técnica vencedora: o técnico Nelson Basualdo e a auxiliar Mirtha Alemán foram campeões sempre que dirigiram a equipe, de 2012 a 2014, e em 2017 e 2018.

A jovem equipe conta com talentos como a meio campista Graciela Martinez, de apenas 17 anos, a artilheira Amanda Peralta que marcou 22 gols em 16 partidas e a capitã Ana Fleitas, sendo que todas as jogadoras do elenco fazem parte das seleções paraguaias, juvenis ou adultas, mas, assim como no Brasil, ainda não é possível para as mulheres sobreviverem exclusivamente do futebol. A maioria delas precisa conciliar estudos ou trabalho com os treinamentos.

O campeonato nacional do Paraguai terminou cerca de um mês antes da estreia na Libertadores. Nesse período a preparação foi intensa na academia e com amistosos contra equipes masculinas. Em 5 participações anteriores, as melhores campanhas foram um 3o lugar em 2014 e um 4o lugar no ano passado.

Aurelia Acuña, coordenadora da equipe, ressalta que estar numa competição internacional traz mais visibilidade para a modalidade e torce para que, com isso, Conmebol e Fifa lutem pela obrigatoriedade de contratos de trabalho no futebol feminino.

O maior orgulho é o fato de que, desde que a equipe foi fundada em 2004, pelo menos um título por ano foi conquistado. O Cerro marcará o primeiro jogo da competição, domingo (18), às 20h contra o UAI-Urquiza.

Flor de Patria

O clube venezuelano Flor de Patria foi fundado em 3 de dezembro de 2014 e, desde o dia de sua fundação, tem como principal patrocinador a marca café que dá nome ao time: Café Flor de Patria. Suas jogadoras recebem o carinhoso apelido de “cafetaleras” que significa “cafeicultoras” em português.

O time terminou a temporada do campeonato local de forma invicta. As jogadoras tiveram um intervalo de apenas três dias entre a final e a volta aos treinos para a preparação para a Libertadores e partiram para o Brasil preparadas para o desafio.

Um dos destaques do time, a atleta Antonieta Rosal, afirma que ‘o time está preparado para enfrentar qualquer equipe do torneio’. O primeiro jogo das “cafetaleras” será o segundo do torneio, no domingo (18) às 22h30 contra as donas da casa, na Arena Amazonia.

 

Fonte: ESPN

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