Vítima de chacina na Espanha revela em áudios preocupação com suspeito

A revelação está em um dos áudios de Marcos Campos, tio de Patrick e também vítima.

“Eu tenho uma carinha de bom, mas eu não sou uma pessoa boa, não, eu sou uma pessoa má. Eu gosto de ser mau”. Com estas palavras Patrick Gouveia, preso como suspeito da chacina da família brasileira na Espanha, teria se descrito a Janaína Américo, uma das vítimas. A revelação está em um dos áudios de Marcos Campos, tio de Patrick e também vítima, enviados para familiares antes do crime e divulgado por uma rádio espanhola nesta quinta-feira (3).
São quatro mensagens de áudio feitas por Marcos Campos e enviadas para a família no Brasil, explicando a mudança da casa de Torrejón para a de Pioz, cidades na região de Madri. Nas gravações, Marcos diz estar decepcionado com Patrick e que o jovem apresentava um comportamento diferente do que ele conhecia no Brasil. Em um dos áudios, Marcos dá detalhes da mudança de Patrick após ir morar na Europa.

“Eu te digo hoje, de todo o coração, hoje eu recebo Patrick, e atendo Patrick, e escuto Patrick por Soraia e François [pais do suspeito]. Porque Patrick me decepcionou muito. O Patrick que a gente conheceu, que a gente conheceu aí no Brasil, não tem nada a ver”, disse Marcos.

O tio do suspeito explica à família no Brasil que o jovem preferiu não se mudar com os tios e primos para Pioz.

Ainda de acordo com as gravações publicadas pela imprensa espanhola, Marcos Campos relata que havia combinado com o sobrinho de buscá-lo poucos dias depois da mudança. Mas, ao tentar falar com Patrick, não conseguiu contato por telefone, nem na casa onde residiam. A proprietária da casa informou a Marcos que Patrick Gouveia havia ido para um hotel.

A revelação está em um dos áudios de Marcos Campos, tio de Patrick e também vítima.
A revelação está em um dos áudios de Marcos Campos, tio de Patrick e também vítima.

Por fim, Marcos Campos lamenta a falta de notícias do sobrinho e comenta que Patrick só o procurava quando acabava o dinheiro que o pai mandava. “François está mandando dinheiro, por isso ele não me procura, claro. Não está precisando. Agora, quando aperta um pouquinho, ele vem, me procura, me chama, para ver o que acontece, né?”, explica Marcos em áudio.

Confira a transcrição dos áudios de Marcos Campos sobre Patrick Gouveia
Gosto de ser mau

“Eu te digo hoje, de todo o coração, hoje eu recebo Patrick, e atendo Patrick, e escuto Patrick por Soraia e François. Porque Patrick me decepcionou muito. O Patrick que a gente conheceu, que a gente conheceu aí no Brasil não tem nada a ver. Ele disse para Janaína antes da gente se mudar, ‘eu sou uma pessoa má. Eu tenho uma carinha de bom, mas eu não sou uma pessoa boa, não, eu sou uma pessoa má. Eu gosto de ser mau”.

Mudança

“Já que eu me mudei na sexta-feira, e chamei Patrick para ir comigo. E ele disse ‘tio, eu não vou hoje, não. Vou dormir hoje aqui em Norma [dona do local onde a família morava antes de Pioz], onde a gente vivia na habitação, e sábado ou domingo eu vou para onde o senhor está indo morar. Eu falei ‘então, está certo’. Eu me mudei na sexta, fui sozinho, levei as malas. Eu, Maria, Janaína e David. E ele ficou. Eu fiquei de pegar ele no sábado ou no domingo, só que eu trabalhei sábado, domingo e segunda. E na terça-feira eu fui para pegar ele. Quando cheguei na terça-feira ele não estava. Disseram que ele tinha ido para um hotel. Não deixou nenhum bilhete para mim. O único bilhete que tinha sido deixado foi o rapaz que vive lá ou foi Norma, que deixou um bilhete em cima da mesa avisando que ele tinha ido para um hotel”.

Ligações

“Aí eu liguei segunda e terça para ele. Em todos os dias mandei uma mensagem de voz, para saber onde ele estava, o que tinha acontecido, para ver se levava ele lá para onde a gente estava morando. Ele não me respondeu, tava com o telefone apagado, como se tivesse bloqueado para receber minhas chamadas. Não sei por quê. E não recebeu e não me devolveu até hoje, não me chamou, não mandou nenhuma mensagem para mim”.

Espera por notícias

“Não sei, vou esperar para ver se ele liga, o que é que aconteceu como ele, para saber porque é que ele não me atende o telefone. E como ele está tranquilo, está recebendo dinheiro, está comendo fora. François está mandando dinheiro, por isso ele não me procura, claro. Não está precisando. Agora, quando aperta um pouquinho, ele vem, me procura, me chama, para ver o que acontece, né?”.

Fonte: G1

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