Vizinhos criam rede de ajuda aos 13 irmãos abusados pelos pais nos EUA

Vizinhos deixam presentes na porta da casa dos Turpin/Foto: Damian Dovarganes / AP

PERRIS, EUA – Após o terror, a solidariedade. Dias após a descoberta de que um casal manteve, por anos, seus 13 filhos em cativeiro em casa em condições aterradoras, a comoção entre vizinhos da cidade de Perris, a 120 quilômetros de Los Angeles, fez com que fosse criado um fundo oficial para ajudar as vítimas.

A iniciativa, apoiada pela Fundação do Centro de Saúde da Universidade Riverside, arrecadou doações de roupas e itens de higiene, necessidades que, segundo autoridades, já foram atendidas graças ao enorme fluxo de ajuda da comunidade.

Por sua vez, a ONG Child Protective Services também vem recebendo ligações de pessoas de todo o mundo que querem ajudar financeiramente as vítimas.

Danos podem ser permanentes

Novos detalhes sobre a maneira como David, de 57 anos, e Louise Anna, de 49, tratavam os filhos vieram à tona.
Famintos, com apenas uma refeição por dia, alguns chegavam a ficar acorrentados em suas camas por meses. Sujos, só podiam tomar um banho por ano. Também eram espancados quando não cumpriam as rígidas regras impostas pelos pais, não recebiam cuidados médicos há mais de quatro anos e nunca tinham ido ao dentista. Viviam acordados à noite, fora da vista dos vizinhos, e vários não tinham conhecimento prático do mundo exterior.

Com idade entre 2 e 29 anos, eles estão em tratamento — apenas o bebê não sofreu maus-tratos. Segundo autoridades, além de desnutridas, as vítimas apresentam problemas cognitivos e neurológicos, e os danos físicos e mentais podem ser irreversíveis.

— Eles vão experimentar um choque cultural, além do trauma que sofreram — afirmou Patricia Costales, editora-executiva do Guidance Center, que ajuda a tratar traumas infantis.

A jovem de 17 anos que fugiu pela janela do banheiro e denunciou os pais pode ter um papel de liderança na recuperação:

— O fato de ela ter realizado um ato tão corajoso mostra que poderia desempenhar um papel para ajudar seus irmãos a se recuperar — disse Jessica Borelli, professora de Psicologia Infantil da Universidade da Califórnia.

Vizinhos deixam presentes na porta da casa dos Turpin/Foto: Damian Dovarganes / AP

Avô não acredita em abusos

Os abusos tiveram início em 2010, quando as crianças começaram a ser amarradas, primeiro com cordas e, quando começaram a escapar, com cadeados e correntes.

— Os maus-tratos pareceram se intensificar ao longo do tempo — explicou o procurador de Riverside, Mike Hestrin.
— O que começou como negligência tornou-se um severo, invasivo e prolongado caso de abuso infantil.

Além de deixá-los praticamente isolados, os pais podem ter conseguido esconder os abusos por causa do horário em que seu filhos dormiam. As crianças foram criadas no turno da noite e só iam para cama pouco antes do amanhecer — por isso, raramente tinham contato com vizinhos.

“O mundo que os Turpin criaram para a família era pouco interativo: Louise não trabalhava, David não era sociável, e as crianças eram educadas em casa. Elas talvez considerassem suas atitudes normais. Proteger seus filhos de olhos curiosos tornou-se um meio de vida”, escreveu o psicólogo forense David Carter ao “Independent”.

Apesar das evidências, o pai de David Turpin, James, disse não acreditar nas denúncias.

— Vou conversar com as crianças e descobrir a história real.

Fonte: O GLOBO

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