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ZFM não cabe na agenda Bolsonaro alerta ex-superintendente da Suframa

ZFM não cabe na agenda Bolsonaro alerta ex-superintendente da Suframa - Foto: Reprodução/Internet
Escrito por Redação II

Se você é dirigente de empresa, gerente, montador, prestador de serviço do PIM, médico, alfaiate, consultor de empresa, tem uma empresa de projeto de engenharia, dono ou empregado de varejão, contadora, vive de biscate, vive e mora no Amazonas, me acompanhe um instante.

Mas já aviso: É o seu emprego, o bônus de fim de ano, o 13º, o plano de saúde, a “féria” que tá na reta. Ah, aposentadoria também. De quem já recebe e de quem quer chegar lá.

Recentemente, declarei meu voto, fundamentado na análise de diversos aspectos. Tenho procurado dialogar e já recebi inúmeros questionamentos. Um tipo em especial chamou a atenção: aquele das pessoas vinculadas ao mundo empresarial. Só um foi aberto, os demais via DM. Alguns educados, outros nem tanto e mais um resto que foi parar na lixeira. Por enquanto, vamos focar na questão econômica. Baseio-me em meu caminho e minha experiência. Sei que a maioria escolheu diferente. Mas tenho uma mania: pensar pela minha própria cabeça, cometer meus próprios erros, fugir da tentação da manada.

O ponto de partida: A Zona Franca de Manaus (nome enganoso de um Polo Industrial Incentivado) é sim uma excepcionalidade econômica. Você precisa conhecer de perto para não repetir chavões econômicos. Senão vai repetir que é uma aberração. Equívocos históricos e malandragens mal-intencionadas ajudam esse preconceito.

ZFM não cabe na agenda Bolsonaro alerta ex-superintendente da Suframa – Foto: Reprodução/Internet

Para fins desse debate, temos de lembrar que o que produzimos aqui são “bens duráveis não essenciais”. Não produzimos vestuário, nem alimentos. Por isso, precisamos que a economia esteja bem, que o cara tenha algum sobrando, além do que gasta no feijão, na roupa, na conta de luz; caso contrário não sobra para a moto, celular, TV de LED, etc. Partindo disso, mostra-se que essa política neoliberal (agora defendida pelo Capitão) que privilegia uns poucos, não apenas mantém a penúria atual, mas a aprofunda, e é extremamente danosa para Manaus.

Aprofunda? Como? Olha o que falou o “Posto Ipiranga”, já indicado para Ministro da Fazenda. Preste atenção ao que ele diz a “O SUL”, já agora durante a campanha:

“Guedes admite que ainda não tem uma proposta pronta e que há dificuldades para convencer três quintos do Congresso a acabar com despesas obrigatórias em saúde e educação, por exemplo.”

Como a turma diz: entendeu ou precisa desenhar? Ou seja, menos investimentos em educação e saúde públicas, mais despesas para o orçamento das famílias em despesas básicas, menos compras de nossos produtos, mais desemprego na nossa terra.

Peraí, isso é especular. Especular? Tínhamos 123 mil empregos diretos no PIM, em novembro de 2013. Naquele ano, tivemos o maior faturamento, a maior produção física, o maior recolhimento de impostos. Mas economistas e políticos conservadores estavam em plena campanha crítica de que o crescimento estava errado porque era pelo “consumo” (clique aqui veja uma entre duzentas manifestações). Dilma havia desonerado a folha de pagamentos, reduzido o IPI de automóveis e linha branca. E as críticas foram aumentando, ficando pior.

Em uma terra que todos reclamam da carga tributária, empresários e a grande imprensa passaram a falar contra a redução de impostos. Só no Brasil é que empresário presta atenção e embarca numa conversa fiada dessa. Queriam mais impostos? Não. Mas queriam ser contra o governo e ai é Dinossauro votando e torcendo pelo meteoro. (Clique aqui e veja como a grande imprensa conseguiu criticar a redução da carga tributária).

Aí a Dilma errou feio. Reeleita e querendo acalmar, criar pontes com empresariado, põe o Joaquim Levy no Ministério da Fazenda e sua agenda neoliberal. Acaba com a redução do IPI de Automóveis e Linha Branca, recua na desoneração da folha. O consumo despenca. A economia vai para o brejo. Aumento de preços, recuo de consumo.

No PIM, dos 123 mil postos de trabalho, perdemos 40 mil no maior recuo desde o Plano Collor. De uma média de 5 mil carros que eram emplacados em Manaus, vamos ladeira abaixo para pouco mais de 1200. Desemprego, gera desconfiança, que reduz consumo, que gera desemprego.

Calma, como naqueles comerciais de TV, não é só isso. Tem ainda a questão direta sobre o modelo Zona Franca. Quer ver? Precisamos então voltar um pouco no tempo.

Em algum momento de 1999, em uma reunião em Brasília, o então Secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, fazia uma apresentação fechada aos Secretários de Fazenda sobre as emendas apresentadas no Congresso ao projeto de Reforma Tributária do Governo. Eu era Subsecretário e representava o Estado do Amazonas.

Everardo, depois de discorrer sobre as diferenças conceituais, mostrou uma tela com o título de “Maracutaias”, tinha uns 7 a 8 itens. O primeiro, lembro bem, era sobre a isenção de ICMS sobre o transporte aéreo de passageiros, e lá pelo Número 4, tinha “Zona Franca de Manaus”. O Secretário de Roraima, Leocádio Vasconcellos, um cearense esporrento e amigo, se levanta e cutuca as minhas costas: “Tem troco, né?”. Coração na boca, buscando ser o mais Zen possível, abrimos uma discussão que se tornou acalorada. Ao fim, pelo apoio que recebemos da maioria dos Estados, retiraram desse tópico e foi para “Pontos Polêmicos”. E o que isso tem a ver com a presente discussão? Tudo.

O preconceito nunca foi embora. Vamos voltar a mesma entrevista do economista Paulo Guedes. Não esqueça: pretenso futuro Ministro da Fazenda, o Guru econômico, “Posto Ipiranga” do Capitão, no dia 23 de setembro, fala em plena campanha eleitoral:

“Hoje, o Orçamento é aprovado na quinta-feira à noite, mas você aprova Zona Franca de Manaus por 20 anos (R$ 24 bilhões de renúncia fiscal em 2019) na quarta-feira à tarde, quando está todo mundo distraído.”

Em resumo, ele usa a Zona Franca para exemplificar como coisas irresponsáveis são feitas na surdina. Só faltou a palavra “maracutaia”. Antes, em entrevista à revista Época, já havia associado a Zona Franca a Capitalismo de Quadrilha.

A Zona Franca não cabe na cartilha neoliberal. A adesão do empresariado do PIM à esse trem, é muito mais que falta de inteligência. Lucas Nogueira(*), engenheiro pela Unicamp, avisa lá de São Paulo:

“Acreditar nas ideias ultraliberais é parte do jogo. Interessante é o Manauara que não entende que a economia da cidade não pertence a esse modelo. Se Paulo Guedes conseguir o que quer, a minha cidade perde pelo menos, metade de seus habitantes. Basicamente some do mapa.”

Exagero? Lembre-se 40 mil empregos foram para o ralo em 12 meses.
Há um caminho para desfazer dúvidas. FIEAM, CIEAM, ABRACICLO, AFICAM e ELETROS representam o setor empresarial, onde está a maior parte do apoio. Que tal reunir cara a cara com os candidatos, antes do segundo turno? Isso é mais que uma sugestão.

As políticas liberais produzem pobres e miseráveis aos borbotões. Aqueles que assustam a tantos. Eu tenho horror a pobres e miseráveis. Vamos transformá-los todos em cidadãos consumidores. Supere o preconceito e aja racionalmente, Haddad tem melhores propostas.

Erre, mas erre comigo (Nelson Hungria)

P.S Exatamente hoje, as redes sociais, estão mostrando um depoimento de um adversário político, Dória, testemunhando a honestidade, a integridade do Haddad.

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