
AMAZONAS | O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) denunciou cinco policiais militares e um guarda municipal por estupro coletivo contra uma mulher indígena da etnia Kokama. Segundo a investigação, os crimes teriam ocorrido de forma sistemática, entre novembro de 2022 e agosto de 2023, dentro da 53ª Delegacia Interativa de Polícia, no município de Santo Antônio do Içá, no interior do Amazonas.
De acordo com o MP, a vítima estava sob custódia da polícia, após ter dado à luz recentemente, e ficou detida em uma cela masculina, em condições insalubres, sem acesso a atendimento médico, jurídico ou psicológico. Durante esse período, ela teria sido abusada repetidamente pelos agentes de segurança.
A denúncia, oferecida na última semana, imputa aos acusados o crime de estupro de vulnerável, com agravantes previstas no Código Penal. As investigações apontam ainda que os agentes usaram da função pública para intimidar a vítima e seus familiares, inclusive após sua transferência para Manaus. Um dos episódios relatados envolveu visitas dos denunciados à casa da mãe da vítima, em tentativa de silenciar a denúncia.
O caso foi revelado nacionalmente após publicação do portal Sumaúma, e mobilizou uma força-tarefa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Promotoria de Justiça de Santo Antônio do Içá e outras unidades do MP.
Cinco dos acusados foram presos preventivamente no último fim de semana, em operações realizadas nos municípios de Manaus, Tabatinga e Santo Antônio do Içá. Um sexto investigado, que está em missão oficial do governo federal em área de difícil acesso, deverá ser detido após retorno a Tabatinga, segundo a Polícia Militar.
A vítima está sob proteção do programa de apoio a vítimas do Ministério Público e da Defensoria Pública. O processo tramita em segredo de Justiça.




