
A corregedora do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), desembargadora Nélia Caminha Jorge, enquadrou a cúpula da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) e do Governo do Estado, dando um prazo final de cinco dias para a entrega compulsória de documentos que podem implodir a chapa do governador Roberto Cidade (União Brasil) e de seu vice, Serafim Corrêa.
O despacho concede o prazo apenas para evitar alegações de cerceamento de defesa, mas mantém o cerco implacável da Justiça contra o esquema de abuso de poder político investigado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).
O processo ferve nos bastidores após a Polícia Federal arrombar as portas e realizar duas operações de busca e apreensão consecutivas na sede da autarquia, confiscando computadores, HDs e planilhas secretas para rastrear o rastro de uma retaliação política brutal em pleno ano eleitoral.
A origem do processo expõe uma denúncia estarrecedora do MP Eleitoral: a Aadesam promoveu uma demissão em massa de servidores públicos no meio da campanha, operando uma máquina de coerção e perseguição política contra prestadores de serviço que não rezavam pela cartilha governista.
Encurralado pelas provas e pelas invasões da PF, o Estado do Amazonas correu ao tribunal para tentar se desvincular do escândalo, alegando cinicamente “ilegitimidade passiva” e jogando a culpa na suposta autonomia da agência.
No entanto, as ordens anteriores da corregedora — autorizadas pelo Ministério da Justiça — continuam de pé, obrigando a entrega de folhas de pagamento e relatórios guardados a sete chaves em pastas estratégicas como a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) e a Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), escancarando que a farra das demissões eleitoreiras está sob a mira definitiva da polícia.







