
O uso de vitaminas sem orientação médica tem se tornado cada vez mais comum nos consultórios, principalmente quando o assunto envolve sintomas como cansaço, fadiga ou gripes frequentes. Segundo a coordenadora do curso de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, Bruna Borges, muitas pessoas iniciam a suplementação por conta própria, sem realizar exames que comprovem a real necessidade.
De acordo com a médica, há uma percepção equivocada de que vitaminas são sempre inofensivas. “Esse comportamento é frequente e pode trazer riscos à saúde quando não há indicação adequada. O principal perigo é a hipervitaminose, que ocorre quando há excesso de vitaminas no organismo”, explica.
Ela ressalta que o corpo humano não aproveita quantidades acima do necessário. No caso das vitaminas lipossolúveis, que se acumulam na gordura corporal, o excesso pode se tornar tóxico e provocar alterações no fígado, rins, sistema nervoso e até nos ossos, dependendo da substância consumida em excesso.
No dia a dia do consultório, três vitaminas lideram a procura dos pacientes: C, D e B12. A vitamina C costuma ser associada à prevenção de gripes e resfriados; a vitamina D é bastante buscada por sua relação com a saúde óssea, muscular e imunológica; e a B12 é frequentemente lembrada por pessoas vegetarianas e veganas, que podem, de fato, necessitar de reposição. “Elas são fundamentais para o organismo, mas só devem ser suplementadas quando exames laboratoriais confirmam a deficiência”, reforça Bruna Borges.
A médica também alerta para práticas que ganharam popularidade, como o chamado “soro da imunidade”, composto por combinações injetáveis de vitaminas e minerais. Segundo ela, quando não há deficiência comprovada, esse tipo de intervenção não traz benefícios para pessoas bem nutridas. “O organismo elimina o excesso, e a promessa de reforço imediato da imunidade não tem respaldo científico. Além disso, há risco de hipervitaminose”, afirma.
Para manter a imunidade em dia, a orientação é investir em hábitos consistentes e comprovadamente eficazes: alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e verduras, sono de qualidade, controle do estresse, prática regular de atividade física e boa hidratação. A suplementação pode ser necessária, mas apenas em casos específicos e com acompanhamento profissional.
Sintomas como cansaço e sonolência, frequentemente atribuídos à falta de vitaminas, nem sempre indicam deficiência nutricional. Eles podem estar relacionados a fatores como estresse, sedentarismo, privação de sono ou outras condições clínicas. Já em casos de deficiência comprovada, podem surgir sinais mais específicos, como formigamentos, alterações no equilíbrio, dores ósseas ou sangramento gengival, a depender da vitamina envolvida.
Por isso, a médica enfatiza que a única forma segura de identificar a necessidade de suplementação é por meio de exames laboratoriais avaliados por um profissional de saúde. “A suplementação deve ser encarada como um tratamento direcionado, com dose e tempo de uso adequados, e não como um hábito preventivo generalizado”, conclui.




