
Para milhões de ribeirinhos da Amazônia, o peixe é a base da alimentação diária. No entanto, um estudo da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) alerta: todas as espécies investigadas apresentam riscos à saúde devido à presença de metais tóxicos, especialmente mercúrio e arsênio.
Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND) coletaram amostras em áreas de pesca nos municípios de Faro, Juruti, Santarém, Porto Trombetas e Itaituba, no oeste do Pará. Eles analisaram seis espécies amplamente consumidas — acari, aracu, piranha, pirarucu, caparari e tucunaré — para identificar a presença de arsênio, cádmio, mercúrio e chumbo.
Além disso, diferentemente de estudos anteriores, os pesquisadores acompanharam pescadores até os locais de captura para garantir a rastreabilidade das amostras. Os resultados mostram que parte dos peixes, especialmente espécies carnívoras, apresentou níveis de mercúrio acima dos limites legais. Nesse sentido, os cálculos de risco consideraram os padrões locais de consumo.
O risco à saúde foi classificado como alto em todas as espécies e cidades analisadas. Em alguns casos, havia mercúrio em quantidade quase 30 vezes acima do limite de tolerância. Dados da Secretaria de Saúde do Pará mostram aumento nos casos de câncer de pele entre 2022 e 2024 no Baixo Amazonas, especialmente em Santarém e Juruti — áreas onde o estudo encontrou maior risco associado ao arsênio.
O estudo relaciona a presença dos metais tóxicos a múltiplas pressões ambientais. Entre elas estão o garimpo ilegal de ouro, que utiliza mercúrio, a mineração de bauxita, o desmatamento e a expansão da soja.
Essas atividades contribuem para a erosão do solo e liberam metais naturalmente presentes na terra para os rios. Como resultado, os contaminantes se acumulam ao longo da cadeia alimentar e atingem concentrações maiores em peixes predadores, como tucunaré e piranha.




