
Derrota nas urnas e a fuga de Flávio do Brasil abrem espaço para o governador de São Paulo disputar a liderança do bolsonarismo sem a familia bolsonaro.
Flávio Bolsonaro (PL) pode ter encontrado seu adversário político não entre os lulistas, mas dentro da própria extrema direita bolsonarista. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já articula para assumir o posto de dono dos 60 milhões de votos, depois da fuga de Flávio no dia seguinte às eleições presidencial.
A disputa ganhou novos capítulos após Flávio fugir do Brasil e seguir para os Estados Unidos. Abriu espaço para duvidar da sua capacidade de comandar a oposição à distância, enquanto Tarcísio permaneceu no país, supostamente reconheceu o resultado das urnas e já organiza uma oposição com atuação nacional e ao bolsonarismo.
Atrelamento domesticado
Tarcísio ainda está atrelado aos Bolsonaro doméstico ou então já existiria uma disputa pública entre eles. Logo após as eleições, começaram a aparecer os interesses políticos do governador, de um lado, e do outro a família Bolsonaro esperneando para preservar o controle do capital eleitoral e, de uma terceira via, lideranças partidárias e setores da direita avaliando a possibilidade de construir um projeto menos dependente do sobrenome Bolsonaro.
O fujão também enfrenta as pretenções de Michelle Bolsonaro e do Nikolas Ferreira. O desafio será não transformar a disputa pela sucessão em uma divisão permanente do campo da extrema direita e direita.
Fidelidade familiar
Flávio chegou ao segundo turno com quase 60 milhões de votos, demonstrando que o bolsonarismo e o antipetismo continuam representando forças expressivas no eleitorado. Entretanto, a votação não significa necessariamente fidelidade permanente à família. Uma parcela desses eleitores pode continuar identificada com a direita, mas disposta a acompanhar uma liderança diferente.
Enquanto Lula se prepara para seu quarto mandato presidencial, a direita precisa decidir quem falará em seu nome nos próximos anos. A família Bolsonaro derrotada, ou uma composição entre as diferentes forças de direita no País.
O maior desafio do fujão Flávio Bolsoraro, que é visto como covarde até pela direita bolsonarista, é impedir que a própria direita deixe de enxergá-lo como seu representante. À distância, nos EUA, e impedido de voltar ao Brasil, essa tarefa será ainda mais difícil.




