
O ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos) publicou hoje, no X, uma ameaça de rastrear, prender e processar pessoas que votarem ilegalmente, em meio às eleições de meio de mandato.
Entenda
A publicação ocorre em meio a preocupações com possíveis intimidações de eleitores. Organizações de direitos civis recorreram à Justiça contra a presença de agentes federais nos locais de votação. O governo, porém, afirmou que agentes do ICE e do FBI não atuarão como fiscais eleitorais.
“Se você votar ilegalmente, nós vamos encontrar você. Vamos rastreá-lo, prendê-lo e processá-lo. Não haverá escapatória”, diz a publicação oficial.
If you vote illegally, we will find you. We will track you down, arrest you, and prosecute you.
There will be no escape.
— U.S. Immigration and Customs Enforcement (@ICEgov) November 3, 2026
Investigações sobre votos ilegais
O governo Trump exigiu dados de eleitores de pelo menos 13 estados. Segundo investigação da Reuters, autoridades federais enviaram mais de 100 intimações para obter registros de dezenas de milhares de pessoas e identificar possíveis votos de não cidadãos.
Agentes armados também interrogaram moradores sobre sua situação migratória e histórico eleitoral. O Departamento de Justiça acusou pelo menos 147 pessoas de votação ilegal, 102 delas desde setembro.
Especialistas, porém, questionam a dimensão do problema. À Reuters, o ex-procurador federal Paul Charlton afirmou que esses casos são raros e nunca tiveram potencial para alterar uma eleição. Ben Berwick, da organização Protect Democracy, alertou que as investigações podem ser usadas para contestar resultados eleitorais.
A Casa Branca defende as medidas e afirma que apenas cidadãos americanos devem escolher os governantes do país.
Organizações civis, por sua vez, orientam eleitores sobre como agir diante de possíveis intimidações e recebem denúncias de interferência na votação.
Protestos contra o ICE
As operações migratórias também aumentaram a pressão sobre os republicanos às vésperas das eleições. Segundo a Associated Press, a reação à política de Trump se tornou um obstáculo para o partido na disputa pelo controle do Congresso.
Em Minneapolis, dezenas de milhares de pessoas protestaram após o envio de mais de 2 mil agentes federais, muitos mascarados e em veículos sem identificação.
Em janeiro, dois cidadãos americanos morreram em ações de agentes federais de imigração na cidade: Renee Good, de 37 anos, no dia 7, e Alex Pretti, também de 37, no dia 24. As mortes intensificaram os protestos contra a política migratória do governo.




